Trump não reconhece Flávio Bolsonaro como líder do Brasil e evita nova crise com Lula
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Trump não reconhece Flávio Bolsonaro como líder do Brasil e evita nova crise com Lula

31/10/2026 | 08:30 Por Redação MZ

Governo dos Estados Unidos teria ajudado na entrada do senador e de sua família no país, mas não pretende apoiar suas ambições políticas neste momento.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende reconhecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil, apesar de sua administração ter autorizado a entrada do parlamentar e de seus familiares em território norte-americano.

A informação foi divulgada na quinta-feira (29), com base em relatos de uma autoridade dos Estados Unidos e de outra pessoa com conhecimento das negociações, ambas sob condição de anonimato.

Segundo essas fontes, não existem planos atuais do governo americano para apoiar as pretensões políticas de Flávio, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 2026.

A posição sugere que Trump busca evitar um novo agravamento das relações diplomáticas com o Brasil, embora não esteja descartada uma mudança de postura.

Trump questiona eleição, mas elogia relação com Lula

Mesmo após declarar que a eleição brasileira parecia ter sido manipulada, Trump afirmou que não ofereceu apoio a nenhum dos candidatos.

Lula venceu a disputa presidencial com uma vantagem de aproximadamente 3,5 pontos percentuais.

O presidente americano também evitou ataques diretos ao petista e destacou que mantém uma boa relação pessoal com ele.

“Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, declarou Trump a jornalistas na segunda-feira.

Na mesma ocasião, o republicano afirmou que o processo eleitoral brasileiro havia deixado uma impressão negativa.

A postura é interpretada como um possível sinal de cautela diplomática, especialmente após meses de instabilidade nas relações entre os dois países.

Flávio Bolsonaro recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos

Apesar da ausência de apoio político formal, integrantes do governo americano participaram das tratativas para permitir a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos.

Segundo os relatos, o senador manteve contato com autoridades norte-americanas durante sua viagem.

Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, teria auxiliado na organização do voo que partiu da Argentina.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também teria recomendado ao presidente a autorização de entrada do parlamentar e de seus familiares, medida posteriormente aprovada por Trump.

Durante o deslocamento, representantes do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna discutiram alternativas legais para receber a família.

A solução adotada teria sido a concessão de parole humanitária, uma autorização temporária utilizada em determinadas situações de urgência humanitária ou interesse público significativo.

Essa autorização não equivale ao reconhecimento de Flávio como presidente ou líder oficial do Brasil.

Viagem pela Argentina e Equador ainda levanta questionamentos

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas após a eleição presidencial.

Conforme informações atribuídas a autoridades argentinas, a família atravessou a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira.

Às 23h30, embarcou em uma aeronave fretada com destino aos Estados Unidos, realizando uma passagem pelo Equador antes de seguir para Miami.

Ainda não foram esclarecidas todas as circunstâncias do deslocamento do senador entre Brasília e a fronteira argentina, percurso de aproximadamente 1,3 mil quilômetros.

Também permanecem dúvidas sobre como ocorreu sua saída do território brasileiro diante das restrições judiciais mencionadas nas investigações.

Senador chegou a se declarar presidente eleito

Na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro publicou uma carta aberta na rede social X na qual se apresentou como “o presidente eleito”.

Posteriormente, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, passando a se identificar como o “líder” legítimo do Brasil.

Apesar das declarações, o governo americano não demonstrou intenção de reconhecer essa condição.

A vitória de Lula permanece como o resultado oficial da eleição presidencial brasileira.

Decisão de Moraes antecedeu saída do Brasil

A viagem de Flávio ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seu passaporte.

A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O requerimento policial foi apresentado poucos minutos depois da confirmação da vitória de Lula.

Integrantes da oposição apontaram essa sequência como possível indício de motivação política. Entretanto, a proximidade entre os acontecimentos não comprova, por si só, qualquer irregularidade na atuação das autoridades.

Aliados do governo Lula também destacaram que Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado federal residente nos Estados Unidos, havia sugerido publicamente, antes da eleição, que o senador deixasse o país em caso de derrota.

Eduardo foi condenado pelo STF em junho, em processo relacionado à tentativa de obter interferência do governo Trump no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação por tentativa de golpe de Estado relacionada à eleição de 2022.

Saída do país gera críticas entre conservadores

A decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil também provocou reações entre setores conservadores.

Uma terceira autoridade norte-americana avaliou que a viagem pode ter enfraquecido politicamente o senador, especialmente entre apoiadores que esperavam sua permanência no país para liderar a oposição ao novo governo Lula.

Embora tenha recebido autorização para permanecer nos Estados Unidos, Flávio ainda não conquistou o reconhecimento político que reivindicou publicamente.

O governo brasileiro e representantes do senador não haviam apresentado manifestações sobre as informações divulgadas. A consulta encaminhada à administração americana também não recebeu resposta do Departamento de Estado.

Por enquanto, a posição atribuída ao governo Trump indica uma separação entre a decisão de permitir a entrada do senador nos Estados Unidos e qualquer apoio às suas reivindicações de liderança política no Brasil.