Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, cantou e tocou violão enquanto médicos retiravam um tumor cerebral em Marília (SP). O procedimento ocorreu em setembro, mas o paciente morreu nesta segunda-feira (2).
Uma história que emocionou profissionais da saúde e familiares teve um desfecho triste no interior de São Paulo. O supervisor de engenharia Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, que tocou violão e cantou a música Tempo Perdido, da banda Legião Urbana, durante uma cirurgia no cérebro, morreu nesta segunda-feira (2 de novembro).
Morador de Pompeia (SP), Fábio havia passado por uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral na Santa Casa de Marília, em setembro de 2026.
Durante parte da operação, ele permaneceu acordado e realizou atividades musicais para ajudar os médicos a monitorar funções neurológicas essenciais, como fala, raciocínio e coordenação motora.
Apesar de ter saído consciente e conversando após a cirurgia, o paciente não resistiu ao período pós-operatório e ao tratamento contra o câncer.
Paciente cantou Legião Urbana enquanto médicos operavam seu cérebro
A cirurgia foi conduzida pelo neurocirurgião Ruy Okaji, responsável por utilizar uma técnica conhecida como craniotomia com o paciente acordado.
Nesse tipo de procedimento, o paciente permanece consciente durante determinadas etapas da operação para permitir que os médicos acompanhem o funcionamento de regiões importantes do cérebro.
A equipe costuma solicitar atividades familiares ao paciente, como conversar, ler, realizar cálculos ou executar movimentos.
Ao descobrir que Fábio gostava de tocar violão e cantar, os profissionais decidiram incluir a música entre os testes realizados durante a cirurgia.
Assim, enquanto os médicos trabalhavam na retirada do tumor, o supervisor de engenharia tocou violão e interpretou Tempo Perdido, um dos sucessos da Legião Urbana.
A apresentação emocionou os profissionais presentes no centro cirúrgico.
Cirurgia durou cerca de 12 horas
Segundo o neurocirurgião Ruy Okaji, Fábio recebeu anestesia no início da operação, quando foi realizada a abertura craniana.
Posteriormente, o paciente foi despertado para participar dos testes neurológicos.
Durante essa etapa, ele realizou exercícios de linguagem, leitura, memória e cálculos simples, além de cantar.
O objetivo era identificar as regiões cerebrais responsáveis por funções essenciais e diferenciá-las das áreas comprometidas pelo tumor.
“Enquanto a linguagem era testada, o cérebro foi todo mapeado, sendo possível identificar o tumor e as áreas sadias, além de planejar o procedimento de ressecção”, explicou o médico.
Okaji destacou que a técnica permite buscar a retirada da maior quantidade possível do tumor, reduzindo o risco de sequelas neurológicas.
O neurocirurgião informou que a equipe utiliza esse tipo de procedimento há mais de 20 anos, em situações específicas.
A cirurgia contou com a participação de anestesistas, neurofisiologista, fonoaudiólogas, instrumentadores e profissionais de enfermagem.
Esposa relembra apreensão durante procedimento
A esposa de Fábio, Edineuza Reis, de 55 anos, acompanhou com apreensão as aproximadamente 12 horas em que o marido permaneceu no centro cirúrgico.
Ela contou que a família ficou emocionada ao saber que ele havia saído da operação consciente e conseguindo conversar normalmente.
“Para nós, a cirurgia durou uma eternidade, mas, graças a Deus, foi um sucesso. Ele saiu acordado e conversando, surpreendendo a todos”, relembrou Edineuza.
A música sempre esteve presente na vida do supervisor de engenharia.
Segundo a esposa, Fábio gostava de tocar violão, guitarra e cantar, participando de apresentações em bares, festas de aniversário e encontros com familiares e amigos.
“Ele sempre gostou muito de tocar violão, guitarra e cantar. Já fez shows em barzinhos, festas de aniversário e churrascos de família e amigos”, contou.
O hobby acabou desempenhando um papel importante no procedimento médico, permitindo que a equipe avaliasse diferentes funções cerebrais durante a retirada do tumor.
Dores de cabeça e confusão mental foram os primeiros sintomas
Antes da descoberta do tumor, Fábio começou a apresentar problemas de saúde que preocuparam a família.
Entre os sintomas estavam dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, dificuldades na fala e falhas de memória.
De acordo com Edineuza, o marido já havia procurado atendimento com cardiologista, gastroenterologista e neurologista.
O supervisor de engenharia chegou a ficar afastado do trabalho por uma semana.
A situação se agravou quando a esposa percebeu que ele estava apresentando um quadro mais intenso de confusão mental.
Diante da piora, Edineuza decidiu levá-lo à Santa Casa de Marília.
No hospital, uma tomografia de crânio identificou a presença do tumor cerebral.
“Um dia, eu percebi que ele estava mais confuso e o levei para a Santa Casa de Marília. Lá fizeram uma tomografia de crânio e descobriram o tumor. Ele foi direto para a UTI, porque o cérebro precisava desinchar antes da cirurgia”, relatou.
Paciente morreu após enfrentar tratamento contra o câncer
Embora a cirurgia tenha permitido a retirada do tumor com acompanhamento das funções neurológicas, Fábio continuou enfrentando o tratamento contra o câncer.
O supervisor de engenharia não resistiu ao período pós-operatório e morreu nesta segunda-feira (2), aos 51 anos.
As informações divulgadas não detalham a causa médica imediata da morte.
O registro de Fábio cantando e tocando violão durante a cirurgia ganhou repercussão pela combinação entre música, medicina e a complexidade do procedimento.
A história também evidencia o trabalho da equipe médica na tentativa de preservar funções essenciais do cérebro durante a retirada de tumores.





