Presidente inicia série de reuniões nesta quinta-feira (5) para avaliar medidas fiscais e recuperar a confiança do mercado. Encontros acontecem após o Banco Central manter a Selic em 13,75% ao ano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta quinta-feira (5 de novembro) uma série de encontros com economistas e representantes do setor empresarial para discutir os rumos da política econômica e fiscal do governo.
A iniciativa ocorre em meio à pressão dos mercados financeiros após a reeleição presidencial, marcada por forte queda da Bolsa de Valores, valorização do dólar e preocupações com o crescimento da dívida pública.
O objetivo das reuniões é ouvir diferentes avaliações sobre o cenário econômico e identificar medidas capazes de garantir a estabilidade financeira do país nos próximos meses.
Lula reúne Haddad, Alckmin e integrantes da equipe econômica
O primeiro encontro deverá reunir economistas e autoridades próximas ao presidente.
Entre os participantes esperados estão:
- Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda;
- Geraldo Alckmin, vice-presidente da República;
- Bruno Moretti, ministro do Planejamento;
- Aloizio Mercadante, presidente do BNDES;
- Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação;
- Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES;
- Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), apontado como possível nome para assumir o Ministério da Fazenda no quarto governo Lula, não participará da reunião.
Governo pretende ouvir economistas de diferentes correntes
Além dos nomes próximos ao presidente, o governo pretende realizar novos encontros nas próximas semanas com especialistas de diferentes linhas de pensamento econômico.
A proposta inclui economistas ortodoxos e heterodoxos, permitindo que o presidente avalie diagnósticos distintos sobre a situação fiscal e monetária do Brasil.
A ampliação das consultas teria sido sugerida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Nesta quinta-feira, o ministro afirmou que pretende apresentar propostas e avaliações sobre as medidas que poderão ser adotadas pelo governo.
“É mais um esforço da gente dividir o cenário, os diagnósticos, e eu vou levar certamente as propostas, as ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas”, declarou Durigan.
Dólar sobe e Bolsa acumula perdas após eleições
A movimentação do governo ocorre após uma sequência de turbulências no mercado financeiro brasileiro.
Na semana passada, o Ibovespa registrou queda acumulada de 18%, o pior desempenho semanal desde 2020.
No mesmo período, o dólar avançou 9,18%, registrando sua maior valorização semanal em 18 anos.
Na terça-feira (3), a Bolsa brasileira completou o sexto pregão consecutivo de perdas, atingindo o menor nível de fechamento desde janeiro.
O cenário apresentou uma recuperação parcial na quarta-feira (4), quando o Ibovespa subiu 1,20% e o dólar recuou para R$ 5,45.
A reação dos investidores reflete preocupações sobre a trajetória da dívida pública e as medidas econômicas que poderão ser adotadas no novo mandato presidencial.
Banco Central mantém Selic em 13,75% ao ano
Outro fator que aumentou a atenção sobre a economia foi a decisão do Banco Central de interromper o ciclo de redução dos juros.
Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.
A decisão interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos.
Segundo o Copom, a manutenção da taxa foi motivada pelo aumento das incertezas econômicas, pela piora das expectativas de inflação e pela desaceleração da atividade econômica.
O Banco Central não indicou quando poderá retomar a redução dos juros.
Empresários e banqueiros também serão ouvidos
Além dos economistas, representantes do setor produtivo procuraram o governo em busca de diálogo sobre os próximos passos da política econômica.
A expectativa é que sejam organizadas reuniões com banqueiros, empresários da construção civil e representantes de diferentes segmentos da economia.
Entre as principais cobranças está a apresentação de um plano de ajuste fiscal capaz de conter o avanço da dívida pública e reduzir as incertezas sobre as contas do governo.
O presidente deverá abordar essas preocupações em um pronunciamento previsto para domingo (8).
A expectativa é que Lula reafirme o compromisso com a estabilidade econômica, manifeste preocupação com os juros e a dívida pública e defenda o cumprimento sustentável das promessas de campanha.
Proposta de redução dos juros gera debate
Parte da instabilidade recente também foi influenciada pela repercussão de uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real.
A ideia prevê mudanças na articulação entre as políticas fiscal e monetária, incluindo a criação de um conselho para estabelecer metas conjuntas.
A proposta também contempla a redução gradual da Selic para 7,5% ao ano.
Entretanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tabelamento dos juros não está em discussão no governo.
A declaração busca esclarecer o posicionamento da equipe econômica diante das especulações sobre possíveis mudanças na condução da política monetária.
Governo busca definir prioridades para o novo mandato
As reuniões convocadas por Lula deverão contribuir para a elaboração das primeiras medidas econômicas do próximo mandato.
O governo enfrenta o desafio de conciliar o cumprimento das propostas apresentadas durante a campanha eleitoral com a necessidade de controlar as contas públicas e recuperar a confiança dos investidores.
As discussões também deverão considerar os efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica, as expectativas de inflação e a trajetória da dívida pública.
Até o momento, não foi anunciado um pacote definitivo de medidas fiscais decorrente dos encontros.





