A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Chihuahua, em Central de Minas, no leste de Minas Gerais, para desarticular uma organização criminosa suspeita de promover a entrada ilegal de brasileiros nos Estados Unidos. Segundo as investigações, mais de 270 pessoas teriam utilizado os serviços do grupo entre 2021 e 2024.
A investigação aponta que os responsáveis cobravam aproximadamente US$ 20 mil por pessoa, valor equivalente a mais de R$ 100 mil. O esquema envolvia uma estrutura organizada para transportar os brasileiros por via aérea até o México e, posteriormente, facilitar a entrada irregular em território norte-americano pela fronteira entre os dois países.
Empresas movimentaram R$ 270 milhões
Um dos principais pontos da investigação é a movimentação financeira atribuída à estrutura empresarial ligada aos suspeitos.
De acordo com a Polícia Federal, sete empresas teriam movimentado aproximadamente R$ 270 milhões durante o período analisado. Desse total, quase R$ 12 milhões teriam origem diretamente no contrabando de migrantes.
As apurações também identificaram indícios de utilização de empresas de fachada e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos e dissimular o patrimônio dos investigados.
O principal suspeito teria organizado a logística das viagens com a participação de um familiar e outros investigados, formando uma estrutura voltada tanto à operação das travessias quanto à movimentação dos valores arrecadados.
Justiça determina bloqueio de até R$ 27 milhões
Durante a Operação Chihuahua, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Central de Minas. A Justiça também autorizou medidas de constrição patrimonial, incluindo o bloqueio de até R$ 27 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
A ação busca reunir provas, identificar o destino dos recursos e aprofundar a apuração sobre a participação dos envolvidos na estrutura criminosa.
A investigação segue em andamento. Até a divulgação das informações consultadas, a Polícia Federal não havia confirmado prisões relacionadas à operação.
Investigação expõe dimensão do esquema
O caso chama atenção pelo número de brasileiros envolvidos e pelo volume financeiro identificado durante as apurações. A rota investigada utilizava o México como caminho para a entrada irregular nos Estados Unidos, expondo migrantes a riscos durante o deslocamento internacional.
A Polícia Federal continua trabalhando para esclarecer a participação de cada investigado e identificar possíveis outros envolvidos na rede.
Os suspeitos são investigados e têm direito à presunção de inocência, enquanto não houver decisão judicial definitiva.





