Documentos da indústria militar russa revelaram que Moscou negociou o fornecimento de 90 lançadores de mísseis ao Irã. A informação foi divulgada pelo Financial Times e repercutiu internacionalmente nesta semana.
Segundo a reportagem, os equipamentos fazem parte de um contrato registrado em documentos de produção referentes ao período de 2024 a 2025. O comprador aparece identificado pelo código K-10, associado ao governo iraniano em registros da indústria de defesa russa.
Os lançadores, identificados como APU-L, foram projetados para utilizar o míssil guiado LMUR, também conhecido como Izdeliye 305. O armamento é utilizado pelas forças russas na guerra da Ucrânia e foi desenvolvido para atingir alvos com precisão, inclusive em movimento.
Cada lançador pode transportar dois mísseis e foi projetado principalmente para instalação em helicópteros militares Mi-28, modelo que também integra os esforços iranianos de modernização de seu arsenal.
DOCUMENTOS NÃO COMPROVAM ENTREGA
Apesar da existência dos registros sobre a encomenda, ainda não há confirmação de que os 90 equipamentos tenham sido efetivamente entregues ao Irã.
A documentação analisada pelo Financial Times indica a previsão de fornecimento, mas não comprova que todas as unidades tenham sido produzidas ou transferidas ao país.
Os registros foram obtidos pela publicação por meio da organização ucraniana de inteligência privada Dallas Analytics.
COOPERAÇÃO MILITAR ENTRE OS DOIS PAÍSES
A negociação representa mais um episódio da aproximação militar entre Rússia e Irã, que ampliaram sua cooperação estratégica nos últimos anos.
Em janeiro de 2025, os dois países assinaram um tratado de parceria estratégica abrangente, envolvendo áreas como defesa, comércio e segurança.
A relação militar também envolve o histórico de fornecimento de drones iranianos à Rússia durante a guerra contra a Ucrânia.
A possível transferência dos lançadores amplia a atenção internacional sobre a parceria entre Moscou e Teerã, especialmente diante das tensões envolvendo o Oriente Médio e as potências ocidentais.
Até o momento, os documentos revelados não permitem afirmar que os equipamentos já estejam em operação no território iraniano.





