Alex Saab fechou acordo com a Justiça americana, mudou sua declaração para culpado e se comprometeu a colaborar com as autoridades. Empresário pode enfrentar pena de até 20 anos de prisão.
Um dos nomes mais próximos de Nicolás Maduro, o empresário colombiano Alex Saab, declarou-se culpado de conspiração para lavagem de dinheiro e transações financeiras ilícitas em um tribunal federal de Miami, nos Estados Unidos.
A declaração ocorreu na terça-feira (15). Saab, que anteriormente havia se declarado inocente, mudou sua posição após chegar a um acordo com a promotoria americana.
Como parte do acordo, o empresário se comprometeu a entregar US$ 195 milhões, cerca de R$ 1,03 bilhão, que teria obtido por meio de operações ilícitas relacionadas a um esquema de corrupção.
Saab também aceitou colaborar com as autoridades e fornecer informações consideradas relevantes para as investigações. Os detalhes completos do acordo não foram divulgados.
Cooperação pode reduzir eventual pena
Quando foi inicialmente acusado, Saab poderia enfrentar uma pena máxima de 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro.
A promotoria, porém, teria concordado em recomendar uma pena menor caso a colaboração do empresário contra outros acusados seja considerada relevante.
Saab, de 54 anos, foi levado aos Estados Unidos em maio de 2026, quatro meses depois da detenção de Maduro em Caracas. Dois dias depois, compareceu a um tribunal federal de Miami para responder às acusações.
O processo também envolve referências a supostas fraudes eletrônicas, subornos e desvio de recursos públicos.
Saab ganhou espaço durante governo Maduro
O empresário se tornou uma figura importante na Venezuela durante o governo de Maduro. Inicialmente, esteve envolvido em projetos de construção de moradias e, posteriormente, passou a atuar no CLAP, programa criado para centralizar a importação de alimentos posteriormente distribuídos à população.
A participação de Saab nesses negócios passou a ser questionada por suspeitas de corrupção.
Em 2019, autoridades americanas acusaram Saab e o empresário colombiano Álvaro Enrique Pulido Vargas de terem lavado até US$ 350 milhões por meio do sistema venezuelano de controle cambial.
As acusações apresentadas em Miami estão relacionadas à participação de Saab no programa de alimentos.
Empresário já havia sido preso e libertado
Saab foi detido em 2020, quando o avião em que viajava fez uma escala para reabastecimento em Cabo Verde. Na época, o governo venezuelano afirmou que ele estava em uma missão humanitária com destino ao Irã.
Posteriormente, foi extraditado aos Estados Unidos e permaneceu preso durante dois anos.
Em dezembro de 2023, acabou libertado em uma troca de prisioneiros negociada com o governo de Joe Biden. O acordo envolveu cerca de 20 pessoas, incluindo dez americanos que estavam presos na Venezuela.
Depois de retornar à Venezuela, Saab foi nomeado ministro da Indústria.
Em fevereiro de 2026, foi novamente detido em Caracas durante uma operação conjunta de autoridades americanas e venezuelanas. Três meses depois, voltou a ser extraditado para os Estados Unidos.
Processo cita autoridades venezuelanas
Os documentos judiciais apontam que Saab e outros envolvidos teriam utilizado empresas de fachada, faturas falsas e registros fraudulentos para desviar centenas de milhões de dólares relacionados a contratos de importação de alimentos e medicamentos.
Entre os nomes citados está José Gregorio Vielma Mora, que ocupou diferentes cargos públicos na Venezuela.
Segundo o processo, aproximadamente US$ 17 milhões teriam sido destinados a Vielma Mora em subornos, comissões ilegais e outros pagamentos ilícitos relacionados à concessão de contratos.
Os documentos também mencionam outras pessoas que não tiveram suas identidades divulgadas.
Maduro não é mencionado expressamente no esquema
Apesar da proximidade entre Saab e Nicolás Maduro, os documentos do processo descritos até agora não mencionam expressamente Maduro ou sua esposa, Cilia Flores, como participantes do esquema.
O processo, entretanto, cita autoridades venezuelanas de alto escalão e menciona uma pessoa identificada apenas como “Funcionário do Governo 1A”.
A identidade dessa pessoa não foi revelada nos documentos.





