Levantamento aponta aumento expressivo dos casos entre 2024 e 2025, com avanço entre jovens e idosos. Especialistas defendem reforço nas ações de prevenção.
Casos aumentam mais de 50% em um ano
Os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao consumo de álcool cresceram 50,5% entre 2024 e 2025 na região do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, em São Paulo.
Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o número de atendimentos passou de 1.966 para 2.959 no período. Apenas nos três primeiros meses de 2026, já foram registrados 724 atendimentos.
Adultos concentram maior número de casos
A maior incidência foi registrada entre adultos de 35 a 59 anos.
A faixa etária de 40 a 44 anos liderou os atendimentos, com 390 casos, seguida por:
- 50 a 54 anos: 356;
- 45 a 49 anos: 348;
- 35 a 39 anos: 323;
- 55 a 59 anos: 236.
Apesar da maior concentração entre adultos, os maiores aumentos proporcionais ocorreram entre os jovens de 20 a 24 anos, com crescimento de 131%, e entre idosos de 70 a 74 anos, cuja alta chegou a 158%.
Consumo precoce favorece dependência
Relatos de pacientes atendidos mostram que o consumo de álcool frequentemente começa ainda na adolescência.
Um dos entrevistados afirmou ter iniciado o hábito aos 12 anos, motivado pela busca de aceitação entre amigos. Atualmente, convive com problemas de saúde como hipertensão, gordura no fígado e pedra na vesícula.
Outro paciente contou que começou a consumir bebidas alcoólicas aos 16 anos para facilitar a socialização. Com o passar do tempo, evoluiu para o uso de cocaína e outras drogas antes de procurar tratamento.
Especialista pede reforço na prevenção
Para o psicólogo Éverson Guimarães, os números reforçam a necessidade de tratar o alcoolismo como uma questão de saúde pública.
Segundo ele, é fundamental ampliar campanhas de conscientização, especialmente entre os jovens, destacando os impactos físicos, psicológicos e sociais causados pelo consumo abusivo de álcool.
Reflexos também preocupam o Paraná
Embora o levantamento tenha sido realizado na região de Campinas, o aumento dos casos acende um alerta para outras regiões do país.
No interior do Paraná, incluindo Ponta Grossa, serviços de saúde também vêm registrando maior procura por acompanhamento de pessoas com dependência química. O monitoramento desses indicadores é considerado importante para orientar políticas públicas de prevenção, tratamento e assistência aos pacientes.





