O áudio vazado da ex-secretária de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional de Ponta Grossa, Faynara Merege, provocou forte repercussão nos bastidores políticos do município.
A gravação, que teria sido feita durante uma reunião interna com servidores da secretaria, rapidamente ganhou destaque após ser divulgada pelo jornalista Eduardo Vaz, por meio do Blog do Dudu. Diante da gravidade do conteúdo, o caso ultrapassou o ambiente local e passou a repercutir também na mídia estadual.
Conteúdo do áudio: uso de servidores em campanha
O ponto mais grave do áudio está na fala em que Faynara sugere que servidores da secretaria continuariam atuando no órgão público enquanto também trabalhariam em sua campanha eleitoral.
Durante a reunião, ela afirma: “Vocês continuarão aqui na secretaria. Vocês serão meus olhos aqui dentro.” Na sequência, reforça: “Além de vocês serem minha equipe aqui na secretaria, vocês serão minha equipe também de campanha.” E complementa: “Eu, candidata, não posso me preocupar com a equipe… Em campanha, eu tenho que sorrir e pedir voto, então vocês vão trabalhar, enquanto eu sorrio e peço votos.”
As declarações indicam possível utilização da estrutura pública em benefício eleitoral, o que é proibido por lei.
Possível crime eleitoral e implicações legais
A legislação eleitoral brasileira é clara quanto à proibição do uso da máquina pública para fins de campanha.
A Lei nº 9.504/97 estabelece que “Ceder servidor público ou usar de seus serviços para campanha durante o horário de expediente, salvo se licenciado.”
Caso comprovadas, as condutas podem resultar em penalidades como multa e até inelegibilidade, dependendo da gravidade.
Repercussão na Câmara Municipal
O caso foi debatido durante sessão da Câmara Municipal de Ponta Grossa, realizada na segunda-feira (13).
O vereador Maurício Silva (PSD) classificou a situação como grave. “Ela convoca servidores públicos, não para trabalhar pela população, mas para servir como cabos eleitorais.”
Já o vereador Geraldo Stocco (PV) cobrou posicionamento de figuras políticas que teriam ligação com a pré-candidatura de Faynara, citando Deltan Dallagnol e Sérgio Moro.
Ataques a Tônia Mansani no áudio
Outro trecho polêmico envolve críticas diretas à sucessora de Faynara na secretaria, Tônia Mansani.
Na gravação, a ex-secretária afirma:“A Tônia é burra. Tem que explicar as coisas pra ela assinar.”
A fala foi considerada ofensiva e aumentou ainda mais a repercussão negativa do caso.
Tônia Mansani é servidora concursada e possui histórico de atuação em cargos estratégicos na administração pública municipal.
Ela também é apontada como figura recorrente em diferentes gestões, ocupando funções de chefia. Atualmente, assumiu a Secretaria de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional de forma interina, acumulando a função com a presidência da Agência de Inovação e Desenvolvimento (AID).
Além disso, Tônia tem ligação política com o irmão, Rafael Mansani, que ocupa cargo comissionado como chefe do Iplan. Ele já atuou anteriormente com o ex-deputado Plauto Miró Guimarães Filho.
Apesar das críticas feitas por Faynara, Tônia Mansani possui reconhecimento institucional.
Em dezembro de 2025, recebeu o título de Embaixadora da Inovação do Paraná. Sua atuação à frente da AID é associada a iniciativas de incentivo ao empreendedorismo, desburocratização de serviços e fortalecimento do ecossistema de inovação local.
Posicionamento da Prefeitura
A Prefeitura de Ponta Grossa divulgou nota oficial repudiando o conteúdo do áudio. “O Município recebeu com surpresa e indignação o conteúdo do áudio divulgado… não compactua com as manifestações.”
Também foi informado que os servidores comissionados citados foram exonerados a pedido.
A prefeita Elizabeth Schmidt já havia oficializado anteriormente a saída de Faynara do cargo, conforme publicação no Diário Oficial.
Mudança na secretaria e contexto político
A exoneração de Faynara ocorreu por meio do Decreto 26.444, com saída a pedido. Já a nomeação de Tônia Mansani foi formalizada pelo Decreto 26.445.
A mudança acontece em meio a um cenário de instabilidade política envolvendo a ex-secretária, que já enfrentava críticas relacionadas a declarações sobre sua experiência profissional anterior.
Crise política e possíveis desdobramentos
O caso do áudio vazado expõe não apenas conflitos internos da gestão municipal, mas também levanta questionamentos jurídicos e eleitorais relevantes.
Com a possibilidade de investigação por uso indevido da máquina pública, o episódio pode ter desdobramentos tanto na esfera política quanto judicial, impactando diretamente o cenário eleitoral de Ponta Grossa.
Enquanto isso, a ex-secretária ainda não se pronunciou oficialmente sobre o conteúdo divulgado. O espaço segue aberto para manifestação.
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