CPI do Crime Organizado pede indiciamento de ministros do STF e do PGR; veja os destaques da votação
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CPI do Crime Organizado pede indiciamento de ministros do STF e do PGR; veja os destaques da votação

14/04/2026 | 16:40 Por redacao__mz

(Matéria em atualização)

A CPI do Crime Organizado está na fase final de seus trabalhos nesta terça-feira (14), com a leitura e votação do relatório final em andamento no Senado Federal.

O documento, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pede o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O texto aponta indícios de crimes de responsabilidade por parte das autoridades citadas.

É importante destacar que este ainda não é o resultado final da CPI. Os parlamentares estão votando, neste momento, se aprovam ou rejeitam o relatório e suas recomendações. Esta terça-feira (14) é a data prevista para o encerramento dos trabalhos da comissão.

O que pode acontecer na prática

Caso o relatório seja aprovado pela maioria dos membros da CPI:

  • Pode haver encaminhamento de pedidos de impeachment das autoridades citadas
  • Esses pedidos devem ser apresentados separadamente à Mesa do Senado
  • O julgamento de crimes de responsabilidade ocorre no próprio Senado

Crimes de responsabilidade são infrações de natureza política, que podem resultar em perda do cargo e inelegibilidade.

Mudança na composição altera cenário da votação

A votação ocorre após alterações na composição da comissão, realizadas poucas horas antes da análise do relatório.

Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE).

Antes das mudanças, a CPI tinha maioria favorável ao relatório. Com a substituição, o cenário mudou, e há possibilidade de rejeição do texto.

A mudança foi feita dentro do bloco MDB, PSDB, Podemos e União Brasil, a pedido da liderança do MDB.

O senador Eduardo Girão criticou a alteração: “O que me deixa indignado é que, a partir do momento que o relatório foi disponibilizado, nós começamos a ver tuítes de ministros do Supremo, manifestações públicas […] Mas o que a gente pode controlar é a mudança de membros desta comissão na hora da decisão. Isso é muito ruim.”

O que diz o relatório

Segundo Alessandro Vieira, o documento já foi protocolado nos registros da comissão.

Ele afirma que a CPI enfrentou “flagrante limitação de recursos” e “enormes barreiras políticas e institucionais”

Especialmente quando passou a investigar figuras de alto escalão.

Por isso, o relator sustenta que o foco do indiciamento recai sobre agentes que estariam fora do alcance dos meios usuais de responsabilização.

Enquadramento dos crimes de responsabilidade

O relatório enquadra os investigados nos seguintes pontos:

Dias Toffoli e Alexandre de Moraes

  • Proferir julgamento quando, por lei, sejam suspeitos na causa
  • Proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro

Gilmar Mendes

  • Proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito

Paulo Gonet

  • Ser desidioso no cumprimento de suas atribuições
  • Atuar de modo incompatível com a dignidade do cargo

Caso Banco Master entra no centro da investigação

A CPI passou a investigar o Banco Master após suspeitas de irregularidades em operações financeiras para ocultar recursos de origem ilícita.

O dono do banco, Daniel Vorcaro, está preso.

O ministro Dias Toffoli foi inicialmente relator do caso no STF, mas deixou a função em fevereiro, quando o processo passou ao ministro André Mendonça.

Toffoli confirmou que integra a empresa Maridt Participações, ligada à sua família, que realizou negócios com um fundo associado ao banco.

Um dos pontos centrais é o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), que tinha participação da empresa da família do ministro.

O relatório também cita:

  • Viagem de Toffoli a Lima, no Peru, no mesmo avião de pessoas ligadas ao caso
  • Suposta proximidade com Daniel Vorcaro
  • Convite ao empresário para festa de aniversário do ministro

Segundo o relator: “A conexão não é remota nem indireta: trata-se de relação negocial entre empresa do magistrado relator e fundo de investimento controlado por pessoa investigada e presa no mesmo inquérito.”

E ainda:“A existência desses laços de amizade íntima e interesse pessoal configuram causas objetivas de suspeição.”

Reações de autoridades

O ministro Gilmar Mendes afirmou que a CPI não tem base legal para pedir indiciamento de ministros do STF.

Segundo ele:

  • O indiciamento cabe exclusivamente à autoridade policial
  • Crimes de responsabilidade seguem rito próprio no Congresso
  • Não há previsão de atuação de CPIs nesse tipo de processo

Ele também criticou o que chamou de tentativa de criminalizar decisões judiciais, prática conhecida como “crime de hermenêutica”.

O ministro Flávio Dino saiu em defesa dos colegas.“É um imenso erro apontar o STF como o maior problema nacional […] gigantesco erro histórico.”

PGR e procuradores contestam

A Procuradoria-Geral da República informou que não vai se manifestar.

Já a Associação Nacional dos Procuradores da República afirmou que as conclusões do relatório são “precipitadas” e “desprovidas de fundamento”.

A entidade destacou que não há omissão institucional, as investigações seguem normalmente na Polícia Federal e a atuação da PGR acompanha diligências em curso.

 O papel e os limites da CPI

As CPIs possuem poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, podendo:

  • Convocar depoentes
  • Quebrar sigilos
  • Requisitar documentos

Por outro lado, não podem:

  • Julgar ou punir
  • Determinar prisões (exceto flagrante)
  • Autorizar buscas ou interceptações

Sessão marca encerramento dos trabalhos

A sessão teve início às 14h20 e marca o encerramento da CPI, instalada em novembro de 2025 para investigar omissões no combate ao crime organizado.

O resultado deve definir os próximos desdobramentos políticos e institucionais do caso.

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