Brasil corta juros enquanto EUA elevam taxas; veja impactos
Economia

Brasil corta juros enquanto EUA elevam taxas; veja impactos

17/09/2026 | 09:57 Por Redacao

Selic caiu de 14% para 13,75%, enquanto o Federal Reserve elevou os juros americanos para a faixa entre 3,75% e 4%; decisões podem influenciar dólar e crédito no Brasil

A chamada “Superquarta” desta semana foi marcada por decisões em sentidos opostos dos dois principais bancos centrais que influenciam os mercados.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros, após três anos, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.

As decisões passam agora a ser acompanhadas pelos investidores, principalmente pelos sinais sobre os próximos passos das autoridades monetárias. As medidas podem influenciar o dólar, os investimentos e o custo do crédito no Brasil.

Inflação segue no centro das decisões

Nos Estados Unidos, a inflação em 12 meses está em 3,4%, acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Ao mesmo tempo, a atividade econômica perdeu força e cresceu 0,4% no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores.

No Brasil, a inflação em 12 meses está em 4,22%, ainda dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central. A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando em relação aos 1,1% registrados nos três meses anteriores.

A partir desse cenário, o mercado passa a observar se a alta dos juros americanos será o início de uma sequência de aumentos ou apenas um movimento isolado.

Efeito sobre o bolso não é imediato

As decisões do Fed podem chegar ao Brasil por diferentes caminhos. Entre os principais estão o dólar e o crédito, embora os efeitos não apareçam necessariamente de forma imediata.

O especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, Fernando Benavenuto, explica que uma das vias é o câmbio.

Um dólar mais pressionado pode encarecer produtos importados e insumos utilizados pela indústria brasileira. Segundo o especialista, esse impacto pode levar semanas ou meses para chegar aos preços praticados no mercado.

Outro canal é o crédito. Juros americanos mais elevados podem reduzir o espaço para novos cortes da Selic no Brasil.

Na prática, financiamentos, empréstimos e o crédito rotativo do cartão podem permanecer mais caros por mais tempo, dependendo da trajetória dos juros nos dois países.

Projeções do Fed também influenciam o dólar

Além da decisão sobre a taxa de juros, os investidores acompanham as projeções divulgadas pelo Federal Reserve, que ajudam a indicar como os juros americanos podem evoluir nos próximos anos.

Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, as expectativas do mercado têm papel importante na movimentação do câmbio.

A possibilidade de novos aumentos dos juros americanos pode levar investidores a buscar títulos dos Estados Unidos, considerados investimentos de maior segurança e que passam a oferecer remuneração maior.

Com mais recursos direcionados para esses investimentos, o dólar pode ganhar força.

Benavenuto também destaca que uma eventual indicação de que os juros americanos permanecerão elevados por mais tempo pode ter impacto sobre o real.

Isso ocorre porque a diferença entre os juros oferecidos no Brasil e nos Estados Unidos pode diminuir. Esse diferencial é um dos fatores considerados pelos investidores estrangeiros ao decidir onde manter seus recursos.

Cenário brasileiro também influencia o real

O comportamento do dólar, entretanto, não depende apenas das decisões do Federal Reserve.

No Brasil, fatores como a situação das contas públicas e o cenário das eleições de outubro também podem influenciar a percepção dos investidores e aumentar a pressão sobre o real.

Separar exatamente quanto de uma eventual valorização do dólar vem de fatores externos ou domésticos é difícil, já que diferentes fatores podem atuar simultaneamente.

Uma das formas de avaliar a origem dos movimentos é comparar o desempenho do real com o de outras moedas de países emergentes.

Quando o dólar sobe de forma generalizada diante de diversas moedas, isso pode indicar uma influência externa. Caso o real apresente desempenho pior que moedas como o peso mexicano, o rand sul-africano ou o peso chileno, fatores domésticos podem estar tendo maior peso.

Ainda assim, fatores externos e internos podem atuar ao mesmo tempo e até compensar os efeitos uns dos outros nos próximos meses.