Brasil importou 15 mil toneladas de pesticidas proibidos na União Europeia, aponta relatório
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Brasil importou 15 mil toneladas de pesticidas proibidos na União Europeia, aponta relatório

16/10/2026 | 19:17 Por Redação MZ

O Brasil foi o segundo maior importador de pesticidas proibidos para uso na União Europeia em 2024, recebendo cerca de 15 mil toneladas desses produtos, segundo relatório da organização internacional Oxfam divulgado nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação.

Os Estados Unidos aparecem na primeira posição. O estudo aponta que países europeus exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas que não podem ser utilizados dentro do próprio bloco econômico, volume superior ao registrado em 2018.

A análise questiona a diferença entre as regras aplicadas no mercado europeu e a autorização para que determinadas substâncias continuem sendo fabricadas e vendidas a outros países. Para a Oxfam, essa prática transfere riscos ambientais e sanitários para populações de regiões com diferentes níveis de proteção regulatória.

Segundo o relatório, 93 países importam agrotóxicos considerados altamente perigosos provenientes da União Europeia. A entidade afirma que 75% desses destinos são países de baixa e média renda do Sul Global.

No Brasil, os pesticidas classificados pelo estudo como altamente perigosos representariam 49% dos agrotóxicos vendidos, proporção superior à observada em países europeus citados no levantamento. O relatório também afirma que seis dos dez pesticidas mais vendidos no mercado brasileiro são proibidos na União Europeia.

A exposição a determinadas substâncias pode representar riscos para trabalhadores rurais, comunidades próximas às lavouras, água, solo e biodiversidade. Os efeitos dependem, entre outros fatores, do produto, da dose, da forma de aplicação e das condições de proteção.

É importante distinguir, porém, a proibição de uso na União Europeia da situação regulatória no Brasil: uma substância não autorizada em um bloco não está automaticamente proibida em todos os demais países. A autorização e as restrições aplicáveis no território brasileiro dependem das normas nacionais.

A Agência Brasil informou que procurou o Ministério da Agricultura para obter posicionamento sobre os dados apresentados no relatório. O tema reacende o debate sobre fiscalização, transparência na cadeia de produção e critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente.