Câmara de Ponta Grossa aprova projeto que autoriza uso da Bíblia como material paradidático nas escolas
Educação Política Ponta Grossa

Câmara de Ponta Grossa aprova projeto que autoriza uso da Bíblia como material paradidático nas escolas

05/08/2026 | 18:49 Por Redacao

Projeto recebeu 11 votos favoráveis e dois contrários em segunda votação e agora segue para análise da prefeita Elizabeth Schmidt.

Projeto é aprovado em segunda discussão

A Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) aprovou, em segunda discussão, durante a sessão desta quarta-feira (5), o Projeto de Lei nº 458/2026, que institui a Bíblia Sagrada como material paradidático nas escolas públicas e particulares do município.

A proposta, de autoria do vereador Pastor Ezequiel (Podemos), recebeu 11 votos favoráveis e dois contrários. Com a aprovação no Legislativo, o texto segue para análise da prefeita Elizabeth Schmidt (PL), que poderá sancionar ou vetar a matéria.

Caso seja sancionada, a lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Projeto prevê uso para fins culturais e históricos

De acordo com o texto, a Bíblia poderá ser utilizada como material de apoio em atividades pedagógicas, com finalidade cultural, histórica, geográfica, arqueológica e literária, sem caráter obrigatório ou de imposição religiosa.

Segundo a justificativa do projeto, a obra poderá contribuir para disciplinas como História, Literatura, Artes e Filosofia, servindo como recurso complementar para a compreensão de civilizações antigas e do desenvolvimento cultural da humanidade.

Autor defende caráter não obrigatório

Durante a tramitação da proposta, o vereador Pastor Ezequiel afirmou que a Bíblia não será utilizada como material didático obrigatório em sala de aula.

Segundo o parlamentar, a proposta prevê apenas o uso do livro como recurso paradidático, sem obrigar estudantes à leitura ou à prática religiosa.

Projeto recebeu críticas durante a votação

Na sessão realizada na última segunda-feira (3), o vereador Guilherme Mazer (PT) manifestou voto contrário ao projeto, afirmando que a proposta seria incompatível com o princípio da laicidade do Estado previsto na Constituição Federal.

Segundo o parlamentar, o ensino público deve garantir tratamento igualitário às diferentes religiões ou não privilegiar nenhuma delas.

Terreiro divulga nota de repúdio

Após a aprovação da proposta em primeira discussão, o Terreiro Pai José de Aruanda divulgou uma nota de repúdio ao projeto.

A instituição afirmou que a manifestação não representa oposição à Bíblia ou à fé cristã, mas uma defesa do Estado laico e da igualdade de tratamento entre todas as tradições religiosas.

Na nota, o terreiro argumenta que a inclusão de uma tradição religiosa no ambiente escolar levanta questionamentos sobre a igualdade religiosa, especialmente diante dos episódios de preconceito e intolerância enfrentados pelas religiões de matriz africana.

O comunicado também criticou a postura do autor do projeto durante a votação que reconheceu o Terreiro Pai José de Aruanda como entidade de utilidade pública.

Ao final, a instituição reafirmou seu compromisso com a liberdade religiosa e defendeu que todas as manifestações de fé sejam tratadas com respeito e igualdade pelo Poder Público.