Casas Bahia enfrenta investigação sobre suposta propina e protestos de trabalhadores
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Casas Bahia enfrenta investigação sobre suposta propina e protestos de trabalhadores

09/09/2026 | 13:42 Por Redacao

Grupo, que está em recuperação judicial com dívidas de cerca de R$ 17,3 bilhões, também é alvo de manifestações após demissões em massa

O Grupo Casas Bahia atravessa um período de forte crise financeira e enfrenta, ao mesmo tempo, uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre um suposto esquema de pagamento de propina e protestos de trabalhadores demitidos.

Segundo o MPSP, aproximadamente R$ 2,98 milhões teriam sido pagos pela varejista a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) com o objetivo de obter vantagens relacionadas ao ressarcimento de créditos de ICMS.

A investigação aponta que o esquema poderia envolver mais de R$ 1 bilhão em pagamentos ilícitos e beneficiar dezenas de empresas. Executivos e proprietários da Fast Shop e da Ultrafarma chegaram a ser presos durante a operação.

As Casas Bahia, que apresentou pedido de recuperação judicial, declarou dívidas de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.

Empresa criou comitê para investigar acusações

A companhia informou que criou, em março de 2026, um Comitê Independente de Investigação para acompanhar e apurar os fatos relacionados ao caso.

A empresa afirmou ainda que está colaborando com as autoridades e declarou repudiar qualquer ato ilícito, conduta antiética ou prática que viole a legislação.

Especialistas em recuperação judicial avaliam que a investigação pode provocar uma crise de confiança entre a empresa, credores e o mercado. Entretanto, a apuração ainda está em fase inicial, e eventual responsabilidade de administradores e agentes ligados ao grupo deverá depender das investigações e de decisões judiciais.

Ex-funcionários protestam no Rio de Janeiro

Além da investigação, a Casas Bahia enfrenta manifestações de trabalhadores demitidos.

Na terça-feira (8), sindicato e ex-funcionários realizaram um protesto em frente a uma unidade da empresa em Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro. Durante o ato, manifestantes queimaram uniformes da companhia.

De acordo com o sindicato, cerca de 1.900 trabalhadores foram demitidos em todo o país durante agosto e ainda não teriam recebido os valores referentes às rescisões.

A entidade afirma que muitos ex-funcionários estão recorrendo a campanhas de arrecadação, conhecidas como “vaquinhas”, para conseguir pagar despesas básicas.

Demissões ocorreram antes do pedido de recuperação judicial

As manifestações tiveram início após o Grupo Casas Bahia demitir cerca de 3 mil funcionários entre os dias 13 e 17 de agosto, poucos dias antes de protocolar o pedido de recuperação judicial.

A Justiça do Trabalho determinou a suspensão das demissões e considerou as dispensas ilegais. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a decisão e determinou a reintegração provisória dos trabalhadores, além da retomada de benefícios, como planos de saúde.

A empresa continua recorrendo da decisão.

O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro informou que pretende realizar novos protestos em outras unidades da rede até que os trabalhadores recebam os valores considerados devidos.

Sindicato denuncia demissões irregulares

O sindicato também afirma que entre os demitidos estariam trabalhadores com estabilidade, incluindo grávidas e jovens aprendizes. Há ainda relatos de pessoas dispensadas durante o período de férias.

Segundo a entidade, alguns empregados com 15, 20 e até 30 anos de empresa teriam sido comunicados da demissão por WhatsApp e não recebido as verbas rescisórias.

A decisão que suspendeu as demissões foi tomada pela Justiça do Trabalho, que apontou a ausência de participação do sindicato da categoria no processo de desligamento.

Trabalhadora teria sido cobrada por parcela

Outra denúncia apresentada pelo sindicato envolve uma funcionária demitida que teria sido cobrada por uma parcela de uma compra descontada diretamente de seu salário.

Segundo a entidade, mesmo sem o pagamento das verbas trabalhistas consideradas devidas, a trabalhadora teria sido cobrada pela prestação do financiamento.

As denúncias trabalhistas e a investigação sobre o suposto esquema de propina são situações distintas, mas ocorrem no mesmo período de crise financeira enfrentado pelo Grupo Casas Bahia.

A empresa segue em recuperação judicial e também continua sendo alvo das apurações das autoridades e das medidas judiciais relacionadas às demissões.