Problema é menos comum na infância e, na maioria das vezes, está relacionado à falta de oxigênio causada por engasgo, afogamento, insuficiência respiratória ou outros acidentes
A parada cardíaca em crianças é uma emergência médica extrema e exige atendimento imediato. Diferentemente do que ocorre com adultos, o coração infantil raramente para inicialmente em decorrência de uma doença cardíaca. Na maioria das situações, a parada acontece depois que a criança deixa de respirar adequadamente ou entra em estado de choque.
A parada cardiorrespiratória pediátrica costuma estar relacionada à insuficiência respiratória ou ao choque. Problemas respiratórios são apontados como uma das principais origens dessas ocorrências em bebês e crianças.
Entre as situações que podem levar ao quadro estão engasgo, afogamento, sufocação, infecções respiratórias graves, choque, trauma, intoxicação, choque elétrico e reações alérgicas intensas.
Doenças cardíacas congênitas e alterações do ritmo do coração também podem provocar uma parada, mas são causas menos frequentes fora do ambiente hospitalar.
Como reconhecer uma parada cardíaca
Os principais sinais são perda súbita de consciência, ausência de resposta quando a criança é chamada ou tocada e falta de respiração normal.
Movimentos respiratórios isolados, lentos ou semelhantes a “suspiros” não devem ser confundidos com uma respiração adequada.
Ao identificar esses sinais, é necessário pedir ajuda imediatamente e ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
O serviço é gratuito, funciona 24 horas e pode orientar, por telefone, as primeiras medidas enquanto uma equipe é enviada ao local.
Durante a ligação, é importante informar o endereço completo, pontos de referência, a idade aproximada da criança, o que aconteceu e se ela está consciente e respirando. O telefone deve permanecer no viva-voz para que as orientações sejam acompanhadas durante o atendimento.
RCP deve ser iniciada imediatamente
Se a criança não responde e não respira normalmente, devem ser iniciadas imediatamente as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP).
Para uma pessoa treinada, a recomendação é intercalar compressões no centro do peito com ventilações.
As diretrizes de 2025 recomendam compressões em ritmo de 100 a 120 por minuto. O tórax deve ser comprimido em aproximadamente um terço de sua profundidade, o que corresponde a cerca de quatro centímetros em bebês e cinco centímetros em crianças. Entre as compressões, é necessário permitir que o tórax retorne completamente à posição normal.
Quando há apenas um socorrista, a referência é realizar 30 compressões para duas ventilações.
Com dois socorristas treinados e uma criança que ainda não apresenta sinais de puberdade, utiliza-se a proporção de 15 compressões para duas ventilações.
As ventilações são especialmente importantes em crianças porque muitas paradas são provocadas pela falta de oxigênio. Porém, caso a pessoa não saiba, não possa ou não se sinta segura para realizá-las, deve fazer compressões contínuas até receber orientação do Samu ou até a chegada da equipe de emergência.
A RCP iniciada rapidamente pode aumentar significativamente a possibilidade de sobrevivência.
Desfibrilador deve ser usado quando disponível
Caso exista um desfibrilador externo automático (DEA) nas proximidades, o equipamento deve ser utilizado assim que possível.
O aparelho fornece instruções por voz e somente libera o choque quando identifica que ele é necessário.
Pás pediátricas devem ser utilizadas quando estiverem disponíveis. No entanto, o atendimento não deve ser atrasado enquanto se procura outro equipamento.
O que não fazer durante a emergência
A criança não deve ser sacudida com força, nem receber água, alimentos ou medicamentos.
Também não se deve colocá-la em um veículo particular quando uma RCP já estiver sendo realizada, salvo quando essa for a orientação do serviço de emergência.
Em casos de engasgo, não é recomendado colocar os dedos às cegas dentro da boca, pois o objeto pode ser empurrado para uma região ainda mais profunda.
As manobras para desobstrução das vias aéreas variam de acordo com a idade e devem ser aprendidas em treinamento adequado.
Prevenção pode evitar situações de emergência
A prevenção começa com cuidados no dia a dia. Entre as medidas estão a supervisão constante de crianças próximas a piscinas, banheiras e recipientes com água, a oferta de alimentos adequados para cada idade, o cuidado com objetos pequenos e o armazenamento seguro de medicamentos e produtos tóxicos.
Crianças com doenças respiratórias ou cardíacas também devem ter acompanhamento médico.
Pais, responsáveis, professores e profissionais que trabalham com crianças devem buscar cursos presenciais de primeiros socorros.
A Lei Federal nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, tornou obrigatória a capacitação básica de professores e funcionários de escolas e estabelecimentos de recreação infantil.
A identificação rápida da emergência e o início imediato das manobras podem fazer diferença até a chegada do atendimento especializado. Nenhuma orientação por texto, porém, substitui um treinamento prático ou a avaliação de profissionais de saúde.
Em caso de emergência
Se uma criança estiver inconsciente e não respirar normalmente, ligue imediatamente para o Samu pelo número 192 e siga as orientações da equipe.




