Clube apresentou um trator John Deere avaliado em R$ 80,4 mil para garantir cobrança de R$ 30,6 mil relacionada a uma comissão pela negociação do zagueiro Zé Gabriel
Uma situação pouco comum colocou o Internacional no centro das atenções nesta quinta-feira (13). O clube apresentou à Justiça, em Porto Alegre, um trator como garantia em um processo no qual um empresário cobra uma dívida atualmente calculada em R$ 30.621,56.
O equipamento apresentado pelo Colorado é um John Deere 5403, avaliado pelo clube em R$ 80.488.
A cobrança está relacionada a uma comissão pela negociação do zagueiro Zé Gabriel, que defendeu o Internacional entre 2019 e 2021. O empresário Tiago Silva dos Santos busca receber valores que teriam permanecido pendentes de um acordo firmado com o clube.
Dívida teve origem em negociação de jogador
O acordo original para o pagamento da comissão foi assinado em abril de 2019 e previa um valor bruto de R$ 125 mil, dividido em dez parcelas de R$ 12,5 mil.
O pagamento estava condicionado ao cumprimento de metas esportivas por Zé Gabriel, que foram alcançadas em julho de 2020.
De acordo com a ação, quatro parcelas foram quitadas, enquanto outras seis permaneceram em aberto.
Em junho de 2025, clube e empresário chegaram a uma nova negociação. O saldo foi estabelecido em R$ 85 mil, dividido em três parcelas de aproximadamente R$ 28,3 mil.
As duas primeiras parcelas teriam sido pagas. Já a última, com vencimento em novembro de 2025, permaneceu pendente.
Com a incidência de correção e juros, o valor cobrado chegou aos atuais R$ 30,6 mil.
Justiça determinou pagamento em três dias
Em maio de 2026, a 17ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre determinou que o Internacional efetuasse o pagamento em três dias, sob risco de penhora de bens.
Posteriormente, o clube apresentou sua defesa e ofereceu o trator como garantia da dívida.
Clube tenta evitar bloqueios e penhoras
Ao apresentar o John Deere 5403, avaliado em valor superior ao débito, o Internacional também solicitou efeito suspensivo aos embargos.
Na prática, o objetivo era impedir que a execução avançasse com eventuais bloqueios bancários ou penhoras enquanto os argumentos apresentados pelo clube fossem analisados pela Justiça.
O juiz Walter José Girotto, porém, não concedeu imediatamente a suspensão.
A análise sobre a aceitação do trator como garantia ficou condicionada à manifestação da parte credora.
Empresário contesta uso do trator
O empresário se manifestou em 11 de agosto contra a utilização do trator como garantia e pediu que seja observada a preferência por dinheiro na ordem de penhora prevista no Código de Processo Civil.
Ele também sustenta que encaminhou a nota fiscal apontada pelo Internacional durante as discussões relacionadas ao pagamento.
O Internacional informou que não pretende se manifestar publicamente sobre o processo.
O caso permanece em tramitação na 17ª Vara Cível de Porto Alegre e aguarda nova análise da Justiça sobre a garantia apresentada pelo clube e os próximos passos da cobrança.




