Chuvas castigam lavouras no Paraná, travam colheita e atrasam plantio da safra de verão
Geral Paraná Vitrine

Chuvas castigam lavouras no Paraná, travam colheita e atrasam plantio da safra de verão

16/09/2026 | 18:22 Por Redação MZ

Solo encharcado impede entrada de máquinas nas propriedades e aumenta preocupação com doenças, erosão e qualidade dos grãos. Trigo, cevada, milho, soja, batata e outras culturas estão entre as afetadas.

O excesso de chuva e as tempestades registrados no Paraná provocaram impactos importantes nas propriedades rurais, interrompendo colheitas e dificultando o avanço do plantio da safra de verão 2026/27.

Entre os dias 8 e 14 de setembro, a instabilidade atingiu diferentes regiões do Estado, incluindo os Campos Gerais, Sul e Centro-Sul. Além dos volumes elevados de chuva, algumas áreas enfrentaram queda de temperatura e ventos fortes.

O resultado foi o encharcamento do solo, que dificultou ou impossibilitou a entrada de máquinas nas lavouras. As condições afetaram desde a colheita dos cereais de inverno até a implantação de novas áreas de milho e soja.

Trigo e cevada têm colheita interrompida

No ciclo de inverno, o trigo chegou a 58% da área colhida, enquanto a cevada alcançou 19%.

As operações, porém, foram prejudicadas justamente quando grande parte das lavouras estava na fase de maturação.

Além de impedir a entrada das máquinas, a combinação de umidade elevada e pouca radiação solar aumenta o risco de perda de peso dos grãos e favorece doenças de espiga, como a brusone.

As fortes rajadas de vento também podem provocar o acamamento das plantas, comprometendo a qualidade e dificultando ainda mais a colheita.

Excesso de água aumenta risco de doenças e erosão

Segundo o pesquisador e meteorologista Antônio do Nascimento Oliveira, da Fundação ABC, os efeitos da chuva variam conforme a cultura, o estágio de desenvolvimento, o tipo de solo e as condições de drenagem de cada propriedade.

O excesso de água pode provocar encharcamento, erosão e perda de nutrientes, além de atrasar o plantio, a aplicação de defensivos e a própria colheita.

A umidade elevada também cria condições favoráveis para o avanço de doenças fúngicas. Nas lavouras recém-semeadas, existe ainda preocupação com possíveis falhas na germinação e no estabelecimento das plantas.

Soja e milho têm plantio prejudicado

As consequências também chegaram à safra de verão 2026/27.

O plantio do milho atingiu 43% da área prevista, enquanto a soja chegou aos primeiros 2%. O avanço das duas culturas acabou interrompido em diferentes propriedades devido às condições do solo.

No caso do feijão, houve paralisação do preparo das áreas e também é registrada uma forte redução na área total cultivada.

Erosão causa danos irreversíveis em áreas de batata

A produção de batata também enfrenta dificuldades. Na segunda safra, tanto as colheitas manuais quanto os trabalhos de manejo fitossanitário precisaram ser suspensos.

Em áreas recém-implantadas da primeira safra, principalmente em terrenos ondulados, foram registrados danos irreversíveis provocados pela erosão causada pela chuva.

As hortaliças sofreram com alagamentos, enquanto as lavouras de cebola enfrentam elevada pressão de doenças fúngicas.

Café, citros e setor florestal também sentem impactos

A colheita do café foi concluída com boa produtividade, mas a umidade recente trouxe preocupação em relação à qualidade do lote final.

Na citricultura, além das condições meteorológicas, os produtores enfrentam preços abaixo dos custos de produção.

O setor florestal também contabilizou prejuízos. A passagem de um tornado provocou a destruição quase total de uma área de eucalipto.

As pastagens, por outro lado, foram beneficiadas pela chuva e mantiveram boa disponibilidade de massa verde para o gado.

O que provocou tanta chuva no Paraná?

Os elevados volumes registrados no Estado foram resultado da atuação conjunta de diferentes sistemas meteorológicos.

De acordo com Antônio do Nascimento, houve intensificação de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai, combinada com ventos quentes e úmidos vindos do noroeste e a passagem de uma frente fria.

O cenário também foi potencializado pelas alterações nos padrões de circulação atmosférica associadas ao El Niño, favorecendo tempestades com grandes volumes de chuva em períodos relativamente curtos.

Nova sequência de chuva preocupa produtores

A previsão indica uma breve redução das chuvas até quinta-feira (17). Mesmo assim, a nebulosidade elevada pode dificultar a secagem do solo e, consequentemente, o retorno das máquinas às áreas agrícolas.

Uma nova sequência de instabilidades é prevista entre sexta-feira (18) e quarta-feira (23).

Depois desse período, a expectativa apresentada é de condições mais firmes até o início de outubro. Para o último trimestre do ano, porém, a intensificação do El Niño deve manter a estação chuvosa bastante ativa no Paraná, exigindo atenção dos produtores diante da possibilidade de novos temporais, ventos fortes e granizo.