Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira (19)
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Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira (19)

19/08/2026 | 17:23 Por manu

Data relembra mobilização ocorrida há 43 anos em São Paulo e reforça a luta contra a lesbofobia, a violência e pela garantia de direitos

O Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira (19). A data reforça a luta contra a lesbofobia — caracterizada pelo preconceito, rejeição ou ódio contra mulheres lésbicas — e contra a violência motivada por orientação sexual e identidade de gênero.

A iniciativa também busca destacar a luta pela conquista e garantia de direitos da população lésbica.

Data relembra o Levante do Ferro’s Bar

A celebração homenageia uma mobilização ocorrida em 19 de agosto de 1983, no Ferro’s Bar, no centro de São Paulo. Na ocasião, mulheres lésbicas se organizaram contra situações de discriminação e violência e protestaram contra a censura e as tentativas de silenciamento no estabelecimento.

Naquele período, a administração do local havia proibido a venda e a circulação do boletim Chana com Chana, publicação produzida pelo Grupo Ação Lésbica Feminista (Galf), coletivo que existiu entre 1981 e 1990.

O episódio ficou conhecido como Levante do Ferro’s Bar e se tornou um marco da resistência lésbica brasileira pela liberdade de expressão e pela garantia de direitos.

A mobilização é considerada a primeira manifestação organizada por lésbicas contra a discriminação realizada durante a ditadura militar. As participantes também reivindicavam o direito de existir, falar, circular e se organizar.

Entre as protagonistas estava a ativista brasileira Rosely Roth (1959-1990), considerada uma das pioneiras do movimento lésbico brasileiro.

Chana com Chana marcou a imprensa alternativa

Criado em janeiro de 1981, em São Paulo, o Chana com Chana foi o primeiro periódico brasileiro voltado exclusivamente ao público lésbico.

A publicação teve 13 edições até 1987 e fazia parte da imprensa alternativa. O conteúdo reunia entrevistas e textos sobre política, artes e a luta por direitos civis das lésbicas, além de abordar a visibilidade da população LGBTQIAPN+.

Agosto é marcado pela visibilidade lésbica

No Brasil, agosto é considerado o Mês da Visibilidade Lésbica. O período reúne duas datas relacionadas à luta e à representatividade das mulheres lésbicas.

Além do Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado em 19 de agosto, o calendário também marca o Dia da Visibilidade Lésbica, em 29 de agosto.

A segunda data foi criada há 30 anos por ativistas brasileiras durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), realizado em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro.

Símbolos representam a luta lésbica

Em janeiro de 2003, durante o III Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, ativistas lésbicas do Brasil, da América Latina e do Caribe aprovaram a incorporação de símbolos relacionados às lésbicas na tradicional bandeira arco-íris do movimento LGBT.

A proposta buscava ampliar a visibilidade da luta pela garantia de direitos.

Entre os símbolos estão:

  • Duplo espelho de Vênus: representa a atração e a união entre mulheres;
  • Lábris: machado de dois gumes ou dupla lâmina, associado às amazonas e utilizado como símbolo de força e independência das mulheres;
  • Triângulo preto: símbolo relacionado às mulheres lésbicas perseguidas e marcadas pelos nazistas nos campos de concentração.

Como denunciar violações de direitos

Casos de discriminação, violência e outras violações de direitos contra pessoas LGBTQIAPN+ podem ser denunciados pelo Disque Direitos Humanos, o Disque 100.

O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato e o sigilo de quem realiza a denúncia é garantido.

As ligações são gratuitas e podem ser realizadas de qualquer telefone fixo ou celular em todo o Brasil, pelo número 100.

Também é possível utilizar o serviço pelo Telegram, pesquisando por “Direitoshumanosbrasil” no aplicativo.

Qualquer pessoa pode denunciar uma violação de direitos humanos da qual tenha sido vítima ou da qual tenha conhecimento.

As denúncias são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e posteriormente encaminhadas aos órgãos responsáveis pela proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos.

Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.