Após confirmação de foco em Santa Catarina, países adotam restrições comerciais. Doença pode causar alta mortalidade entre aves, mas apresenta baixo risco para seres humanos.
A confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja de perus de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, provocou restrições internacionais à comercialização de produtos avícolas brasileiros.
O Chile e a China suspenderam as importações de produtos avícolas de Santa Catarina, enquanto o México adotou um embargo que abrange todo o Brasil, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
As medidas foram anunciadas após a confirmação da doença, em 18 de outubro de 2026, e buscam prevenir riscos sanitários relacionados à circulação do vírus.
Quais produtos foram afetados pelas restrições?
No caso do Chile, a suspensão abrange diferentes produtos de origem avícola provenientes de Santa Catarina, incluindo:
- Carne fresca de aves;
- Ovos destinados ao consumo humano;
- Ovos férteis e ovos SPF, utilizados em atividades específicas de produção e pesquisa;
- Pintinhos de um dia;
- Aves ornamentais;
- Produtos cárneos que contenham carne fresca de aves.
O Ministério da Agricultura informou que mantém contato com as autoridades sanitárias dos países importadores para apresentar informações técnicas sobre o foco e as medidas de controle adotadas.
O objetivo é viabilizar a retomada das exportações conforme as exigências sanitárias de cada mercado.
Como a doença foi identificada?
Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, o caso foi detectado durante um programa de vigilância ativa da defesa agropecuária.
As primeiras amostras foram coletadas em 21 de setembro.
Em 14 de outubro, os resultados indicaram a possibilidade de infecção, levando à suspensão das atividades da granja e à realização de novos exames.
A confirmação oficial ocorreu em 18 de outubro.
As ações de vigilância foram estendidas a Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias.
Na etapa inicialmente anunciada pelo ministério, 133 granjas estavam incluídas na área de monitoramento.
Em atualização divulgada em 23 de outubro, a vigilância já havia alcançado 352 propriedades rurais, com um planejamento que abrangia 1.680 propriedades.
Mais de 6,5 mil aves foram descartadas
Como parte das medidas para eliminar o foco, as autoridades sanitárias realizaram o descarte de 6.526 perus da propriedade afetada.
O enterrio das carcaças e dos insumos foi concluído em 21 de outubro, em uma vala preparada conforme as normas técnicas e aprovada pelos órgãos ambientais.
Também foram concluídas a limpeza a seco e a remoção de materiais, enquanto os procedimentos de desinfecção continuavam em andamento.
A fiscalização na região conta com 28 equipes de vigilância e quatro postos de controle de trânsito.
O que a Doença de Newcastle causa nas aves?
A Newcastle é uma doença viral altamente contagiosa que pode atingir galinhas, perus e outras espécies de aves.
Entre os principais sintomas estão dificuldades respiratórias, diarreia esverdeada, tremores, paralisia, torção do pescoço, queda na produção de ovos e mortes repentinas.
Dependendo da variante do vírus e das condições do plantel, a mortalidade pode ser elevada, chegando a 100% entre aves suscetíveis não vacinadas em casos graves.
A transmissão pode ocorrer pelo contato com aves infectadas, secreções, fezes e materiais contaminados.
A doença pode ser transmitida aos seres humanos?
Sim, mas a infecção humana é rara e geralmente apresenta sintomas leves.
O maior risco ocorre entre pessoas que mantêm contato direto e intenso com aves infectadas, especialmente trabalhadores de granjas, veterinários e profissionais de laboratório.
Os sintomas mais conhecidos são conjuntivite, vermelhidão e irritação nos olhos, lacrimejamento e, ocasionalmente, febre, dor de cabeça e mal-estar.
A transmissão entre pessoas não é considerada uma forma habitual de disseminação da doença.
Por que aves infectadas não podem ser consumidas?
O principal motivo do descarte não é o risco de uma pessoa contrair Newcastle ao comer carne bem cozida, mas a necessidade de impedir que o vírus se espalhe para outras criações.
O transporte, o abate e a manipulação de aves infectadas podem favorecer a disseminação do agente infeccioso por meio de secreções, fezes, equipamentos e outros materiais contaminados.
Por isso, animais de propriedades afetadas por focos da doença ficam sujeitos às restrições sanitárias e não podem ser destinados livremente ao comércio ou consumo.
A carne de frango e os ovos comercializados regularmente, submetidos à inspeção sanitária e preparados adequadamente, continuam seguros para consumo.
A Doença de Newcastle não é considerada uma importante doença de transmissão alimentar aos seres humanos.
Quando as exportações poderão ser retomadas?
Segundo o secretário substituto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, o acompanhamento sanitário considera um período de incubação de 21 dias, com protocolo de vigilância que prevê dois períodos consecutivos, totalizando 42 dias.
O secretário também informou que o Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso.
O governo brasileiro solicitou à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) a redução desse prazo, mas a atualização ainda não havia sido implementada.
A retomada das exportações dependerá também das exigências e decisões das autoridades sanitárias de cada país importador.





