Lauro Rodrigues da Costa Neto reconheceu, em acordo com o Ministério Público, que recebeu remuneração sem comprovação efetiva da prestação de serviços; valor será devolvido em 36 parcelas
Investigação apontou recebimento de cerca de R$ 17 mil mensais
Lauro Rodrigues da Costa Neto, ex-funcionário da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), firmou um Acordo de Não Persecução Civil (ANPC) com o Ministério Público do Paraná (MPPR), no qual reconheceu ter atuado como funcionário “fantasma” entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025.
Segundo a investigação do Ministério Público, Lauro ocupava um cargo comissionado na Celepar, com atribuições relacionadas à articulação institucional junto aos municípios do Paraná. A remuneração era de aproximadamente R$ 17 mil por mês.
As apurações apontaram que ele não desempenhava efetivamente as funções para as quais havia sido contratado e não apresentou relatórios ou outros elementos que comprovassem a realização do trabalho. O vínculo funcional foi posteriormente encerrado.
A conduta foi enquadrada pelo Ministério Público como ato de improbidade administrativa com enriquecimento ilícito, com violação aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência e lealdade às instituições.
Acordo prevê devolução de R$ 286 mil
O interesse de Lauro no acordo com o Ministério Público foi manifestado em junho de 2026. O ANPC foi firmado em 28 de setembro.
Pelos termos estabelecidos, o ex-funcionário deverá reparar integralmente o dano apontado na investigação, com a devolução de R$ 286.112,11.
Além disso, foi estabelecida uma multa de R$ 26.010,19, correspondente a 10% do acréscimo patrimonial considerado indevido.
O valor total deverá ser pago em 36 parcelas mensais, com os depósitos destinados diretamente à conta-corrente da Celepar.
Penalidades em caso de descumprimento
O acordo também estabelece consequências caso as obrigações não sejam cumpridas.
Entre as medidas previstas estão multa diária de R$ 100, vencimento antecipado da dívida, execução judicial imediata e impedimento para a realização de novos acordos pelo período de cinco anos.
Relação com a família Rangel
De acordo com a investigação do Ministério Público, Lauro Rodrigues da Costa Neto exerceu atividades tanto em Curitiba quanto no escritório regional da Celepar em Ponta Grossa.
O ex-funcionário mantém histórico profissional ligado à família do deputado estadual e ex-prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel.
Entre março de 2011 e julho de 2012, Lauro atuou como assessor parlamentar de Sandro Alex, irmão de Marcelo Rangel, na Câmara dos Deputados.
Em 2013, foi nomeado Controlador Geral do Município de Ponta Grossa durante a gestão de Marcelo Rangel na Prefeitura.
Já em 2023, quando Rangel assumiu a Secretaria de Inovação, Modernização e Transformação Digital, no governo estadual, Lauro Rodrigues da Costa Neto ocupava a diretoria de operações da pasta.
Exoneração ocorreu após investigação do Gaeco
Em 2024, Lauro foi exonerado por Marcelo Rangel após vir a público uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), relacionada à Operação Pactum.
A investigação apurava a existência de uma organização criminosa que, segundo as autoridades, seria formada por agentes políticos, servidores públicos e empresários. O grupo era investigado por suspeitas relacionadas a fraude em licitações, tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Lauro estava entre os investigados. Na ocasião, o Gaeco chegou a solicitar à Justiça um mandado de busca e apreensão na residência dele, mas o pedido foi indeferido pela Justiça de Ponta Grossa.
As informações apresentadas apontam ainda que a investigação permanece em andamento e que a Justiça autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do ex-assessor da Celepar.
Ex-assessor deixou a Celepar em janeiro de 2025
Lauro Rodrigues da Costa Neto assumiu um cargo na Celepar no início de 2024, em uma nomeação que, segundo as informações da investigação, teria ocorrido por indicação de Marcelo Rangel.
A exoneração ocorreu em 31 de janeiro de 2025, por meio da Portaria nº 022/2025, assinada pelo diretor-presidente da Celepar, André Gustavo Souza Garbosa.
Conforme o caso apresentado pelo Ministério Público, a empresa passou a ser oficiada para fornecer informações sobre as atividades desempenhadas por Lauro. A partir das apurações, ele reconheceu os fatos e optou pela celebração do Acordo de Não Persecução Civil.





