Márcio Giovani Costa afirmou que foi amarrado, agredido e ameaçado durante episódio ocorrido em 2011; condenação da ex-vereadora transitou em julgado em 2026
O ex-marido da empresária e ex-vereadora Veronica Costa, conhecida como Mãe Loira do funk, relatou ter sido mantido em cárcere privado e submetido a agressões durante mais de 20 horas em fevereiro de 2011, em uma residência da família em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Segundo o relato apresentado à polícia e os elementos que constam no processo, Márcio Giovani Costa teria sido amarrado, vendado e amordaçado. Ele também afirmou ter sofrido afogamentos, queimaduras e ameaças durante o período em que permaneceu no imóvel.
Relato de agressões
De acordo com a acusação acolhida pela Justiça, quatro parentes de Veronica participaram da imobilização de Márcio. Ele teria sido amarrado com cordas, acorrentado, vendado e amordaçado.
Ainda segundo os autos, a vítima afirmou que era questionada sobre supostos desvios de dinheiro relacionados a uma campanha eleitoral.
O relato aponta que Márcio teria sofrido afogamentos no vaso sanitário e na banheira, além de ter spray inseticida lançado contra o rosto. Também teria sido derramada gasolina sobre seu corpo, acompanhada de ameaças de que seria queimado caso não colaborasse.
O processo também registra ameaças envolvendo choques elétricos.
Fuga e atendimento médico
Na manhã seguinte, a irmã de Veronica e o cunhado deixaram a residência. Ao longo do dia, Márcio teria conseguido parcialmente se soltar das amarras.
Por volta das 17h, ele aproveitou um momento de distração e fugiu pela varanda de um quarto de hóspedes. Depois de pular o muro para uma residência vizinha, recebeu ajuda de moradores, acionou a polícia e foi levado para atendimento médico.
Márcio registrou ocorrência na 42ª DP, no Recreio dos Bandeirantes. Ele permaneceu internado por 10 dias em dois hospitais e chegou a ficar no CTI.
Laudo apontou queimaduras
Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) registrou diversas lesões contusas e queimaduras químicas no corpo da vítima.
O documento apontou lesões em regiões como face, pescoço, punhos, área genital, região inguinal e glúteos. Também foram registradas queimaduras de primeiro e segundo graus na face, pescoço, tronco, membros e região genital.
Segundo os documentos médicos citados no processo, as lesões foram relacionadas à exposição da pele a substâncias químicas e inflamáveis, entre elas gasolina e desinfetante.
Condenação e prisão
O processo teve início há mais de 15 anos. Em março de 2019, Veronica Costa foi condenada em primeira instância a 5 anos e 10 meses de prisão.
Em 2023, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aumentou a pena para 10 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado. Os demais corréus foram condenados a 10 anos de prisão.
A defesa apresentou recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a condenação foi mantida.
Em abril de 2026, a 1ª Turma do STF rejeitou os últimos recursos, levando ao trânsito em julgado do processo.
Na terça-feira (23), a Justiça determinou a prisão de Veronica Costa e de seus parentes. A ex-vereadora é considerada foragida.
Defesa nega agressões
Na época do caso, Veronica Costa negou ter agredido o ex-marido. Ela afirmou que Márcio fazia uso de drogas e a ameaçava havia anos.
Em 2023, após o aumento da pena, a defesa também contestou a condenação e afirmou que a decisão estaria baseada na versão da vítima e que novos recursos seriam apresentados.





