Redução nas vendas de feijão-preto e aumento das importações da Argentina fizeram o estado registrar saldo negativo na balança comercial do produto.
Exportações paranaenses registram forte queda
As exportações de feijão do Paraná sofreram uma queda de 65% no primeiro semestre de 2026, segundo o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Entre janeiro e junho deste ano, o estado exportou 11,8 mil toneladas, contra 33,7 mil toneladas no mesmo período de 2025. O desempenho contrasta com o cenário nacional, onde as exportações cresceram 10%, passando de 135,4 mil para 149,3 mil toneladas.
Feijão-preto puxou o recuo
De acordo com o Deral, a principal razão para a queda foi a redução nas exportações de feijão-preto, variedade da qual o Paraná é o maior produtor do país.
Os embarques desse tipo de feijão caíram de 38,8 mil para 16,1 mil toneladas, uma retração de 22,6 mil toneladas.
Por outro lado, as exportações de feijão-mungo-preto cresceram significativamente, alcançando 78,2 mil toneladas no semestre, impulsionadas principalmente pela produção de Mato Grosso e pela forte demanda da Índia.
Perda de mercados internacionais
O boletim aponta que o Paraná foi impactado pela diminuição das compras de Portugal e Guatemala, mercados que haviam substituído parcialmente México e Venezuela nos últimos anos.
Segundo o Deral, embora o estado consiga conquistar novos compradores, ainda enfrenta dificuldades para manter relações comerciais duradouras, tornando o setor mais vulnerável às oscilações do mercado internacional.
Importações da Argentina aumentam
Enquanto as exportações diminuíram, as importações brasileiras de feijão cresceram de forma expressiva.
O volume importado passou de 4,9 mil para 22,3 mil toneladas no comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Desse total, mais de 20 mil toneladas entraram no Brasil pelo Paraná, com origem na Argentina.
O aumento das importações foi suficiente para deixar negativo o saldo da balança comercial do feijão no estado, mesmo com o preço médio do produto exportado pelo Paraná permanecendo acima do valor pago pelo feijão importado.





