A Prefeitura de São Paulo decidiu trocar os principais coordenadores do Smart Sampa, programa municipal de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial, após uma sequência de reportagens apontar falhas de segurança e possíveis acessos indevidos à plataforma.
A mudança foi divulgada nesta quarta-feira (4). Silvio Conceição Thomé assumirá a coordenação do programa no lugar de Pamella Cecarelli Candido. Já Gustavo Zardi ficará responsável pela diretoria de projetos.
A alteração na equipe ocorre em meio à pressão provocada por episódios recentes envolvendo a segurança do sistema. Uma das reportagens apontou que imagens de aproximadamente 17 mil câmeras de empresas parceiras ficaram acessíveis por meio de links reunidos em uma planilha.
Segundo as informações publicadas, a vulnerabilidade teria permitido visualizar transmissões ao vivo de equipamentos conectados à estrutura de monitoramento. O episódio foi atribuído a uma falha envolvendo sistemas utilizados por empresas parceiras do programa.
O caso não foi o primeiro questionamento sobre a segurança do Smart Sampa. Em outubro, outra reportagem apontou exposição de imagens e informações que poderiam permitir acessos indevidos a câmeras do sistema, inclusive em locais sensíveis, como creches e unidades de saúde.
Especialistas e documentos também levantaram dúvidas sobre vulnerabilidades na plataforma tecnológica utilizada pelo programa. A prefeitura, por sua vez, contestou parte das informações e afirmou que os links relacionados ao episódio mais recente estavam em uma planilha confidencial.
A administração municipal informou que pretende investigar o envio do arquivo à imprensa e adotar medidas administrativas e legais cabíveis. Também afirmou que as empresas parceiras possuem infraestrutura própria e são responsáveis pela administração e segurança de seus equipamentos.
A troca dos responsáveis pela coordenação acontece em um momento de questionamento sobre a proteção de imagens, dados e acessos de uma das principais estruturas de vigilância urbana do país. O episódio amplia o debate sobre os limites e os riscos de sistemas de monitoramento em larga escala.
A prefeitura ainda terá de demonstrar quais medidas foram adotadas para corrigir as vulnerabilidades e garantir que as imagens captadas pelo sistema não sejam acessadas por pessoas sem autorização.





