Governo empenha R$ 884 milhões em emendas de parlamentares que votaram contra relatório da CPMI do INSS
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Governo empenha R$ 884 milhões em emendas de parlamentares que votaram contra relatório da CPMI do INSS

12/08/2026 | 14:31 Por Redacao

Levantamento aponta que valor corresponde a 98,64% dos recursos empenhados neste ano para os 19 congressistas que rejeitaram o relatório que pedia o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha

O governo federal empenhou R$ 884,37 milhões em emendas parlamentares dos 19 congressistas que votaram contra o relatório final da CPMI do INSS, segundo levantamento apresentado com base em dados do Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).

O valor corresponde a 98,64% dos R$ 896,56 milhões em emendas desses parlamentares que haviam sido empenhados ao longo de 2026 até o momento do levantamento.

Do total previsto no Orçamento da União para as emendas dos 19 congressistas, de aproximadamente R$ 1,06 bilhão, já haviam sido pagos R$ 718,65 milhões.

Relatório da CPMI foi rejeitado

A votação ocorreu em 28 de março, quando o relatório apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi rejeitado por 19 votos a 12.

O documento propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas investigadas por supostas irregularidades envolvendo descontos em aposentadorias e pensões.

Entre os nomes citados no relatório estava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O relator havia solicitado o indiciamento de Lulinha por suspeitas relacionadas a tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa e participação em corrupção passiva.

Com a rejeição do relatório e sem a aprovação de uma versão alternativa, a CPMI foi encerrada sem um relatório final aprovado.

Quanto foi empenhado para os parlamentares

Confira os valores de emendas empenhados em 2026 para os 19 parlamentares que votaram contra o parecer:

  • Jussara Lima (PSD-PI): R$ 70,09 milhões
  • Rogério Carvalho (PT-SE): R$ 69,45 milhões
  • Soraya Thronicke (PSB-MS): R$ 65,29 milhões
  • Jaques Wagner (PT-BA): R$ 63,51 milhões
  • Eliziane Gama (PSD-MA): R$ 62,11 milhões
  • Augusta Brito (PT-CE): R$ 61,01 milhões
  • Humberto Costa (PT-PE): R$ 57,47 milhões
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP): R$ 53,20 milhões
  • Teresa Leitão (PT-PE): R$ 48,86 milhões
  • Meire Serafim (União-AC): R$ 39,11 milhões
  • Átila Lira (PP-PI): R$ 38,82 milhões
  • Ricardo Ayres (Republicanos-TO): R$ 36,98 milhões
  • Dorinaldo Malafaia (PDT-AP): R$ 36,85 milhões
  • Neto Carletto (Avante-BA): R$ 34,39 milhões
  • Orlando Silva (PCdoB-SP): R$ 32,79 milhões
  • Alencar Santana (PT-SP): R$ 29,11 milhões
  • Paulo Pimenta (PT-RS): R$ 29,03 milhões
  • Rogério Correia (PT-MG): R$ 28,34 milhões
  • Lindbergh Farias (PT-RJ): R$ 27,97 milhões

O que significa “empenhar” uma emenda?

O empenho representa a reserva de recursos do orçamento para garantir o pagamento de determinada despesa, como a contratação de um serviço ou a aquisição de um bem.

Por isso, valor empenhado não significa necessariamente que o dinheiro já tenha sido efetivamente pago. No levantamento apresentado, R$ 718,65 milhões haviam sido pagos até o momento.

Levantamento aponta relação temporal

Os dados mostram que a maior parte dos recursos empenhados para os 19 parlamentares ocorreu após a votação do relatório da CPMI.

O levantamento, porém, apresenta uma relação temporal entre a votação e os empenhos, e não comprova, por si só, que os recursos tenham sido liberados como consequência do voto de cada parlamentar.