Litoral do Paraná pode ganhar nova rodovia e mudar completamente o papel da PR-412
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Litoral do Paraná pode ganhar nova rodovia e mudar completamente o papel da PR-412

10/09/2026 | 16:48 Por Redação MZ

Faixa de Infraestrutura prevê corredor de 23,3 km, canal de macrodrenagem e espaço para futuras redes de energia, gás, ferrovia, água e esgoto em Pontal do Paraná.

Projeto volta a ser discutido em Pontal do Paraná

Depois de anos cercada por debates e questionamentos ambientais, a chamada Faixa de Infraestrutura voltou a ganhar espaço nas discussões sobre o futuro de Pontal do Paraná, no Litoral.

O projeto está sendo atualizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), enquanto o Instituto Água e Terra (IAT) analisa o processo de licenciamento ambiental.

A proposta prevê a implantação de um novo corredor viário capaz de retirar parte do fluxo atualmente concentrado na PR-412. A ideia é reorganizar a circulação entre os balneários e, ao mesmo tempo, preparar uma área para receber outras estruturas de infraestrutura no futuro.

Nova rodovia terá mais de 23 quilômetros

De acordo com o projeto apresentado no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), a nova estrada deverá ter aproximadamente 23,3 quilômetros de extensão.

A estrutura prevista terá 60 metros de largura, pista dupla, duas faixas de circulação em cada sentido, canteiro central e acostamentos.

O projeto também contempla quatro acessos aos balneários por vias coletoras, além de pontes e viadutos necessários para atravessar o canal de macrodrenagem.

A chamada Faixa de Infraestrutura terá aproximadamente 175 metros de largura. O espaço foi reduzido em relação ao desenho original, que previa 200 metros, justamente para diminuir a área de vegetação que precisaria ser suprimida.

Canal de 17 quilômetros integra proposta

Um dos elementos mais importantes do projeto é o canal de macrodrenagem, previsto com cerca de 17,3 quilômetros de comprimento e aproximadamente 30 metros de largura na parte superior.

A estrutura deverá auxiliar no escoamento da água da chuva e contribuir para diminuir problemas de alagamentos. O canal também pode funcionar como uma barreira física para evitar que a ocupação urbana avance sobre áreas de vegetação preservada.

O estudo ainda aponta a possibilidade de utilização do canal para pequenas embarcações e atividades de lazer.

Corredor poderá receber ferrovia e gasoduto

A proposta não se limita à rodovia.

O espaço reservado pela Faixa de Infraestrutura também poderá receber, futuramente, uma linha de transmissão de energia, gasoduto, ferrovia e tubulações para água e esgoto.

Essas estruturas não necessariamente seriam construídas ao mesmo tempo que a estrada. A intenção é deixar o corredor preparado para que novas redes sejam instaladas conforme a necessidade do município.

A concentração dos diferentes sistemas em uma mesma área busca evitar que futuras obras exijam novas intervenções independentes no território.

PR-412 poderá ganhar função mais urbana

Com a criação do novo corredor, a atual PR-412 poderia passar por uma mudança de função.

A proposta prevê que a nova rodovia absorva parte do tráfego de passagem, enquanto a PR-412 tenha características mais voltadas à circulação local e urbana.

Entre as intervenções previstas estão ciclovias ou ciclofaixas, calçadas, estacionamentos, rotatórias e, em alguns trechos, duplicação da própria rodovia.

Crescimento de Pontal aumenta pressão por infraestrutura

A discussão ocorre em meio ao crescimento econômico e populacional esperado para o Litoral do Paraná.

Representantes do setor produtivo defendem que Pontal do Paraná precisa ampliar sua estrutura viária para acompanhar o aumento do movimento de moradores, turistas, empresas e investimentos.

O presidente do Comitê Territorial de Desenvolvimento do Litoral e vice-presidente da ACIAPAR, Roberto Stelmacki Junior, avalia que a nova ligação pode ajudar a distribuir melhor o trânsito entre os balneários.

Segundo ele, já existe movimentação de empresários interessados em áreas do município e a expectativa é de forte expansão populacional nas próximas décadas.

Projeto enfrenta histórico de questionamentos ambientais

A questão ambiental é um dos principais pontos de atenção da Faixa de Infraestrutura.

O corredor atravessa áreas com vegetação preservada, o que fez com que o projeto fosse alvo de questionamentos ao longo dos anos.

Uma das alterações feitas na proposta foi justamente a redução da largura da faixa, de 200 para aproximadamente 175 metros, com o objetivo de diminuir a necessidade de supressão vegetal.

O projeto também prevê o aproveitamento de parte do material retirado durante a implantação do canal de macrodrenagem, reduzindo a necessidade de transporte de material de outras áreas.

Obras ainda não têm data para começar

Apesar da retomada das discussões, a Faixa de Infraestrutura ainda não está em execução.

O Governo do Paraná informou que o DER/PR trabalha na atualização dos estudos, enquanto o IAT analisa o licenciamento ambiental. Até o momento, não foi apresentada uma data oficial para o início das obras.

A Prefeitura de Pontal do Paraná também acompanha o processo e defende que o projeto seja integrado a outras obras previstas para o município.

Entre elas estão a requalificação da Orla, a duplicação da PR-407, entre Paranaguá e Pontal do Paraná, e a duplicação da PR-412 entre Pontal e Matinhos.

Litoral vive momento de expansão

O debate sobre a nova rodovia acontece em meio a uma transformação econômica do Litoral paranaense.

Representantes do Sebrae/PR, Sistema FAEP e Fecoopar destacam a necessidade de ampliar a infraestrutura para acompanhar o crescimento de empresas, investimentos e circulação de cargas, moradores e turistas.

A avaliação é que obras de mobilidade e logística podem reduzir custos de transporte, melhorar os deslocamentos e aumentar a competitividade dos negócios da região.

Por enquanto, a Faixa de Infraestrutura segue em fase de estudos e licenciamento. Caso avance, o projeto poderá modificar a configuração viária de Pontal do Paraná e preparar o município para novos empreendimentos nas próximas décadas.

 

Foto Divulgação.