Operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro apura esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em três anos.
Operação mira esquema de lavagem de dinheiro
Uma operação realizada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) resultou na prisão de dez pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.
Entre os presos está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, proprietária da empresa Babe Shopee Cell, registrada em São Paulo.
Segundo as investigações, a loja de capinhas para celular, que possuía capital social declarado de R$ 50 mil, movimentou aproximadamente R$ 50 milhões em apenas dois anos, valor que, de acordo com o Ministério Público, teria origem principalmente nas atividades criminosas do Terceiro Comando Puro (TCP).
Esquema teria movimentado mais de R$ 100 milhões
De acordo com a força-tarefa, a organização criminosa movimentou mais de R$ 100 milhões ao longo de três anos por meio de empresas de fachada.
As investigações apontam que o esquema ocultava recursos provenientes de diferentes facções criminosas, entre elas o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além da empresária, foram presos os irmãos libaneses Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, apontados como responsáveis pela expansão interestadual e internacional da estrutura financeira do grupo.
Mandados foram cumpridos em quatro estados
Durante a Operação Hawala, agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), cumpriram 37 mandados de busca e apreensão.
As diligências ocorreram nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, em endereços localizados também em Foz do Iguaçu.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros, além da indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.
Investigação começou com comércio de produtos falsificados
As investigações tiveram início após a identificação de uma loja localizada no Complexo do São Carlos, no Rio de Janeiro, suspeita de comercializar produtos falsificados e receber eletrônicos roubados.
A partir do rastreamento financeiro, os investigadores identificaram dezenas de empresas de fachada utilizadas para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a apuração, o grupo também utilizava a prática conhecida como “smurfing”, que consiste na realização de depósitos fracionados em dinheiro para dificultar a identificação das operações pelos órgãos de controle.
Suspeita de ligação internacional é investigada
Durante as investigações, também foi identificada uma relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um cidadão egípcio investigado pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o grupo terrorista Al-Qaeda.
As autoridades informaram, no entanto, que essa possível conexão ainda está em fase de apuração e não foi confirmada.
Ao todo, o Ministério Público denunciou 22 pessoas, e a denúncia foi aceita pela Justiça, tornando todos os investigados réus no processo.





