Mulher assassinada pelo ex em SC pediu medida protetiva 12 dias antes e acionou botão do pânico
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Mulher assassinada pelo ex em SC pediu medida protetiva 12 dias antes e acionou botão do pânico

21/10/2026 | 13:05 Por Redacao

Daiana Gisele Müller, de 38 anos, foi encontrada morta em um riacho no município de Ipira. A vítima havia denunciado ameaças do ex-marido, que foi preso após se apresentar à Polícia Militar.

Uma mulher de 38 anos, identificada como Daiana Gisele Müller, foi encontrada morta em um riacho na região de Linha Capelinha, no município de Ipira, no Oeste de Santa Catarina. O ex-marido da vítima, Lorinei Morais, foi preso e é investigado por feminicídio.

Daiana havia solicitado uma medida protetiva de urgência 12 dias antes de ser encontrada morta, após procurar a delegacia para denunciar ameaças atribuídas ao ex-companheiro.

No dia do crime, a mulher também chegou a acionar o botão do pânico, ferramenta disponibilizada a vítimas de violência doméstica para solicitar ajuda policial em situações de risco.

Apesar do alerta, quando os policiais chegaram à residência, encontraram o imóvel arrombado. O corpo da vítima foi localizado submerso em um riacho próximo.

Vítima acionou botão do pânico antes de ser encontrada morta

Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, Daiana utilizou o botão do pânico pouco antes de ser assassinada.

Após o acionamento, uma equipe policial foi enviada com urgência ao endereço da mulher, na localidade de Linha Capelinha.

Ao chegar, os agentes constataram que a residência havia sido arrombada.

Durante as buscas, os policiais encontraram o corpo de Daiana dentro de um riacho nas proximidades do imóvel.

A suspeita é de que o crime tenha ocorrido menos de uma hora depois do pedido de socorro.

Entretanto, o horário exato da morte e sua causa ainda dependem dos resultados dos exames periciais.

Daiana havia denunciado ameaças do ex-marido

De acordo com o delegado Vinicius Ferraz, responsável pela investigação, Daiana procurou a delegacia 12 dias antes do crime e registrou um boletim de ocorrência por ameaça contra Lorinei Morais.

Na ocasião, ela também solicitou uma medida protetiva de urgência.

O pedido foi concedido pela Justiça, que determinou que o ex-marido não mantivesse contato com a vítima e respeitasse uma distância mínima de 100 metros.

As investigações deverão esclarecer se as determinações judiciais foram descumpridas e de que maneira ocorreu o crime.

Segundo o delegado, caso seja confirmado que o feminicídio foi cometido em descumprimento das medidas protetivas, poderá ser aplicada a causa de aumento de pena prevista no artigo 121-A, parágrafo 2º, inciso IV, do Código Penal, com elevação de um terço até a metade.

Ex-marido foi preso após se apresentar à Polícia Militar

Lorinei Morais foi preso depois de se apresentar ao pelotão da Polícia Militar no município vizinho de Presidente Castello Branco.

Durante o depoimento, ele permaneceu em silêncio.

O homem é pai dos dois filhos de Daiana, de 8 e 13 anos.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do feminicídio, incluindo o meio utilizado para provocar a morte e o possível descumprimento da medida protetiva em vigor.

Como funciona o botão do pânico para mulheres ameaçadas?

O botão do pânico faz parte da Rede Catarina de Proteção à Mulher, programa da Polícia Militar de Santa Catarina voltado à prevenção e ao enfrentamento da violência doméstica.

A ferramenta é disponibilizada no celular de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência.

Em situações de ameaça ou risco, a vítima pode acionar o recurso para alertar as forças de segurança e solicitar atendimento.

Já a medida protetiva é uma determinação judicial destinada a proteger mulheres em situação de violência doméstica.

Entre as providências possíveis estão o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato e a imposição de uma distância mínima em relação à vítima.

Especialista destaca importância das medidas protetivas

A advogada Tammy Fortunato, especialista em questões de gênero, destacou que as medidas protetivas são instrumentos fundamentais para prevenir novas agressões e casos de feminicídio.

Segundo ela, embora não garantam proteção automática, essas determinações possuem força legal e buscam impedir a repetição da violência.

A especialista ressaltou que a concessão de uma medida protetiva representa o reconhecimento de uma situação de risco e tem como finalidade evitar novas agressões.

A Polícia Civil de Santa Catarina também orienta que qualquer descumprimento de medida protetiva seja comunicado imediatamente às autoridades.

Em situações de emergência, o contato deve ser feito pelo 190. Informações também podem ser repassadas pelo 181.

Feminicídios aumentaram 10,5% em Santa Catarina

O assassinato de Daiana ocorre em um cenário de crescimento dos registros de feminicídio em Santa Catarina.

Conforme os dados divulgados, o estado contabilizou 42 feminicídios entre 1º de janeiro e 15 de outubro de 2026.

No mesmo período de 2025, foram registrados 38 casos.

Os números representam um aumento de 10,5% nas mortes de mulheres motivadas pelo gênero.

As investigações sobre a morte de Daiana Gisele Müller continuam para esclarecer todas as circunstâncias do crime e a possível violação das medidas protetivas concedidas pela Justiça.