ENEM 2026: professores apontam 8 possíveis temas de redação; inteligência artificial e mudanças climáticas estão na lista
Educação

ENEM 2026: professores apontam 8 possíveis temas de redação; inteligência artificial e mudanças climáticas estão na lista

31/10/2026 | 13:15 Por Redação MZ

Especialistas em educação destacam assuntos ligados à tecnologia, meio ambiente, saúde e problemas sociais como apostas para a redação do Enem, marcada para 8 de novembro.

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, estudantes de todo o Brasil intensificam a preparação para uma das etapas mais importantes da avaliação: a redação.

A prova está marcada para domingo, 8 de novembro, e professores de diferentes instituições apontam oito assuntos que merecem atenção dos candidatos nesta reta final.

Entre os temas considerados possíveis estão o uso da inteligência artificial na educação, a adaptação das cidades às mudanças climáticas, a proteção de crianças na internet e os impactos das apostas online na sociedade brasileira.

As sugestões são baseadas em debates atuais e problemas sociais que podem ser abordados em uma proposta de texto dissertativo-argumentativo.

É importante destacar que não existe confirmação oficial sobre o tema da redação do Enem 2026. As indicações representam avaliações de professores e podem ajudar os estudantes a organizar a revisão.

Confira os 8 possíveis temas da redação do Enem 2026

1. Mudanças climáticas e adaptação das cidades

Os efeitos das mudanças climáticas sobre a população brasileira aparecem entre as principais apostas.

O professor Everton Bastos, do Colégio Católica Curitiba, considera que a adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos pode ser abordada na prova.

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 são um dos acontecimentos utilizados como referência para a discussão.

A coordenadora Amanda Correia, da Rede Alfacem Global Academy, também destaca o assunto, principalmente pela relação entre desastres ambientais e desigualdade social.

O debate envolve planejamento urbano, moradias em áreas de risco e a maior vulnerabilidade das famílias de baixa renda.

Sugestões de repertório: relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estudos do Observatório do Clima, o livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak, e o filme Parasita, de Bong Joon-ho.

2. Inteligência artificial e seus impactos na educação

O crescimento do uso de ferramentas de inteligência artificial também está entre os assuntos apontados pelos especialistas.

O professor Adenildo Lima, do Senac Nações Unidas, sugere o debate sobre os desafios para a utilização ética e consciente da inteligência artificial no Brasil.

A tecnologia pode facilitar o acesso ao conhecimento e auxiliar estudantes e professores, mas também levanta preocupações relacionadas ao plágio, à desinformação e à dependência de ferramentas digitais.

Outro ponto importante é a desigualdade de acesso, já que nem todas as escolas e famílias possuem os mesmos recursos tecnológicos.

Sugestões de repertório: Constituição Federal, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), debates sobre regulamentação da inteligência artificial e o livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire.

3. A importância da leitura e do pensamento crítico

O analfabetismo funcional e as dificuldades de interpretação de textos podem aparecer na redação.

Adenildo Lima aponta que muitos brasileiros conseguem ler palavras e frases, mas enfrentam obstáculos para compreender informações e desenvolver análises críticas.

O tema permite discutir a falta de bibliotecas, a necessidade de políticas de incentivo à leitura e o consumo superficial de informações nas plataformas digitais.

A circulação de notícias falsas também pode ser relacionada à dificuldade de interpretação e avaliação crítica de conteúdos.

Sugestões de repertório: A Importância do Ato de Ler, de Paulo Freire; O Direito à Literatura, de Antonio Candido; e dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf).

4. Proteção de crianças e adolescentes na internet

A segurança digital de crianças e adolescentes é outra possibilidade destacada pelos professores.

A professora Letícia Lima, da AMentoria, aponta a vulnerabilidade infantil no ambiente digital como um tema relevante.

Entre os problemas estão o cyberbullying, a exposição a conteúdos inadequados e a influência dos algoritmos sobre o comportamento de crianças e adolescentes.

A discussão também envolve a responsabilidade das famílias, do poder público e das plataformas digitais na proteção dos menores de idade.

Sugestões de repertório: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Marco Civil da Internet.

5. Falta de professores e desvalorização da carreira docente

A dificuldade de atrair jovens para o magistério também pode ser abordada na redação do Enem.

Letícia Lima destaca o envelhecimento do quadro de professores e as condições de trabalho como fatores importantes para compreender o problema.

A discussão envolve valorização profissional, formação de novos docentes e perspectivas de carreira na educação brasileira.

Entre os materiais indicados está a pesquisa Apagão dos Professores: o Desafio da Renovação dos Professores no Brasil, do Instituto Semesp.

6. Alimentação saudável na infância

A alimentação infantil é outra aposta apresentada por Amanda Correia.

O tema reúne problemas relacionados à insegurança alimentar, à desigualdade social e ao crescimento do excesso de peso entre crianças.

O consumo de alimentos ultraprocessados, muitas vezes associado ao preço, à praticidade e à publicidade, também pode fazer parte da discussão.

A especialista lembra que o Governo Federal estabeleceu restrições para a compra desses produtos na alimentação escolar, com limite de 10% dos itens adquiridos a partir de 2026.

Sugestões de repertório: Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, e o documentário Muito Além do Peso, dirigido por Estela Renner.

7. Impactos das apostas online na sociedade

A expansão das plataformas de apostas, conhecidas como bets, aparece entre os possíveis temas da prova.

Amanda Correia destaca os impactos financeiros e emocionais dessas atividades, especialmente o endividamento das famílias e o desenvolvimento da dependência em jogos.

A publicidade realizada por influenciadores digitais e os patrocínios esportivos também podem ser analisados.

O assunto permite discutir a ludopatia, caracterizada pela dependência em jogos, e a necessidade de políticas de prevenção.

Sugestões de repertório: debates da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets e o livro O Jogador, de Fiódor Dostoiévski.

8. Alcoolismo e desafios da saúde pública

O enfrentamento do alcoolismo no Brasil completa a relação de apostas dos especialistas.

Everton Bastos considera que a redação pode discutir a normalização do consumo de bebidas alcoólicas, a influência da publicidade e a dificuldade de reconhecer a dependência.

O professor também destaca a importância das políticas públicas de prevenção e tratamento.

Entre os serviços que podem ser abordados estão os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), responsáveis pelo acolhimento e atendimento de pessoas com problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas.

Sugestões de repertório: cartilhas do Ministério da Saúde e estudos sobre a influência da publicidade de bebidas alcoólicas entre os jovens.

Como se preparar para a redação do Enem 2026?

Os professores recomendam que os estudantes aproveitem os últimos dias antes da prova para revisar temas sociais e ampliar o repertório argumentativo.

Uma preparação eficiente pode incluir a leitura de materiais confiáveis, o estudo de legislações relacionadas aos assuntos e a prática de textos dissertativo-argumentativos.

Também é importante compreender como utilizar referências culturais, históricas e jurídicas para sustentar argumentos.

Apenas mencionar uma lei, um livro ou um acontecimento não garante uma boa argumentação. O candidato precisa demonstrar a relação entre o repertório apresentado e o problema discutido.

Quando será a redação do Enem 2026?

A redação está prevista para 8 de novembro de 2026, data de realização da primeira etapa do exame.

Os candidatos devem consultar previamente o local de prova e conferir as orientações oficiais para o dia da avaliação.

Embora os oito temas apresentados estejam entre as apostas de professores, a proposta oficial somente será conhecida no momento da aplicação do exame.

Por isso, a recomendação é manter uma preparação diversificada, priorizando a capacidade de argumentação e a compreensão dos principais desafios enfrentados pela sociedade brasileira.