Onda de calor provoca mais de 10 mil mortes acima da média na Europa, aponta levantamento
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Onda de calor provoca mais de 10 mil mortes acima da média na Europa, aponta levantamento

14/07/2026 | 10:10 Por Redacao

Maioria das vítimas tinha 65 anos ou mais. Especialistas afirmam que o calor extremo foi intensificado pelas mudanças climáticas.


Calor extremo elevou número de mortes

A onda de calor que atingiu o oeste da Europa no fim de junho provocou 10.650 mortes acima da média em 27 países do continente, segundo levantamento da rede EuroMOMO, apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados abrangem o período entre 22 e 28 de junho, quando países como França, Espanha e Reino Unido registraram temperaturas recordes.

O indicador de “mortes em excesso” representa a diferença entre o número de óbitos registrados em determinado período e a média histórica esperada para a mesma época do ano.

Idosos foram os mais afetados

De acordo com o levantamento, mais de 90% das vítimas tinham 65 anos ou mais, faixa etária considerada mais vulnerável aos efeitos das altas temperaturas.

O calor intenso pode provocar insolação e agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, aumentando significativamente o risco de morte entre idosos e pessoas com problemas de saúde.

Segundo os especialistas da EuroMOMO, não houve, no período analisado, outros fatores relevantes, como surtos de Covid-19, que justificassem o aumento expressivo da mortalidade.

Dados ainda podem ser atualizados

O levantamento também aponta que, nas oito semanas anteriores à onda de calor, a mortalidade nos mesmos 27 países permaneceu cerca de 500 óbitos semanais abaixo da média esperada.

A EuroMOMO informou que os números ainda poderão ser revisados conforme novos dados forem incorporados ao sistema.

Cientistas relacionam fenômeno às mudanças climáticas

Um grupo internacional de pesquisadores afirmou que a onda de calor registrada no fim de junho teria sido praticamente impossível sem o aquecimento global provocado pela atividade humana.

Segundo os cientistas, as mudanças climáticas estão tornando os eventos de calor extremo cada vez mais frequentes, intensos e duradouros.

Durante o período, diversos países europeus enfrentaram recordes de temperatura, interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas e incêndios florestais.

França e Bélgica foram os únicos países classificados pela EuroMOMO com nível de “excesso muito alto” de mortalidade na última semana de junho. Na Bélgica, o instituto de saúde pública Sciensano informou que foi a maior taxa de mortalidade registrada durante uma onda de calor desde o início da série histórica, em 2000.

Além disso, um estudo conduzido pelo Imperial College London, pelo Met Office do Reino Unido e pela London School of Hygiene & Tropical Medicine estimou que cerca de 2,7 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Inglaterra e no País de Gales durante as ondas de calor registradas entre maio e junho.