O presidente do Paraguai, Santiago Peña, não compareceu nesta sexta-feira (6) à sessão do Senado que discute seu processo de impeachment, aprofundando a crise política provocada pelo colapso do banco digital Ueno. O mandatário havia afirmado que pretendia apresentar sua defesa pessoalmente, mas acabou ausente enquanto os parlamentares avançavam na análise das acusações.
Os senadores rejeitaram, por 39 votos a 3, o pedido da defesa para adiar a sessão por mais 72 horas. Os advogados de Peña alegaram que o presidente recebeu a convocação poucas horas antes, acompanhada de aproximadamente 300 páginas de acusações e documentos, o que, segundo eles, não permitiria tempo suficiente para preparar a defesa.
A crise começou após o Banco Central paraguaio assumir o controle do Ueno Bank diante de problemas de solvência. A instituição tinha aproximadamente três milhões de clientes e administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos.
O colapso deixou milhões de correntistas sem acesso imediato às contas, provocou protestos em diferentes pontos do país e abriu uma crise de confiança no sistema financeiro e nas autoridades responsáveis pela fiscalização bancária.
Peña é acusado por parlamentares de ter utilizado sua influência política para direcionar recursos públicos ao banco e de permitir que irregularidades financeiras não fossem devidamente enfrentadas pelos órgãos reguladores. As acusações também envolvem possíveis conflitos de interesse e depósitos de recursos previdenciários acima dos limites legais.
O presidente nega ter cometido irregularidades. Ele havia apresentado sua renúncia ao Senado na quinta-feira (5), mas parlamentares da oposição defendem que o processo de impeachment continue.
A disputa tem consequências políticas e jurídicas importantes. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes eleitos democraticamente podem ocupar uma cadeira vitalícia no Senado, com imunidade parlamentar. Uma eventual condenação em processo de impeachment pode alterar essa condição.
Paralelamente, autoridades abriram três investigações criminais relacionadas ao colapso do banco. As apurações incluem denúncias envolvendo Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades atuais e anteriores do Banco Central e do fundo estatal de previdência.
A crise também atingiu a direção do Ueno. O ex-presidente da instituição, Miguel Vázquez, foi acusado de crimes como quebra de confiança e tentativa de fraude. Seis diretores do banco tiveram a prisão preventiva determinada pela Justiça, segundo a Associated Press.
O episódio representa uma das maiores crises políticas enfrentadas pelo Paraguai nos últimos anos. A situação de Peña dependerá dos próximos passos do Senado e da tramitação das investigações, enquanto milhares de correntistas aguardam a recuperação dos recursos bloqueados.





