Primeiros sinais do Super El Niño começam a aparecer no Brasil
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Primeiros sinais do Super El Niño começam a aparecer no Brasil

18/08/2026 | 19:45 Por Redacao

Chuvas intensas no Rio Grande do Sul, que atingiram mais de 84 mil pessoas, já apresentam características compatíveis com os efeitos esperados do fenômeno

Os primeiros sinais dos efeitos do El Niño já começam a ser observados no Brasil. Dados reunidos em um boletim semanal sobre o clima apontam que o aumento das chuvas no Rio Grande do Sul apresenta características compatíveis com o padrão historicamente associado ao fenômeno.

Na última semana de julho, mais de 84 mil pessoas em 171 municípios gaúchos foram afetadas pelas chuvas. Historicamente, o Sul do Brasil está entre as primeiras regiões a registrar alterações associadas ao El Niño.

Fenômeno pode alterar o padrão de chuvas

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando mudanças nos padrões climáticos em diferentes partes do mundo.

No Brasil, o fenômeno costuma favorecer chuvas mais volumosas no Sul, enquanto pode contribuir para períodos mais secos em áreas do Norte e Nordeste.

A previsão para 2026 chama atenção pela possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade excepcional. Modelos climáticos indicam que a temperatura das águas do Pacífico pode apresentar anomalias superiores a 3°C entre setembro e dezembro.

Risco de seca e incêndios aumenta em outras regiões

Embora o Sul possa registrar aumento das chuvas, os efeitos do El Niño podem ser diferentes em outras partes do país.

Na Amazônia e no Cerrado, a tendência de redução das chuvas pode aumentar o risco de períodos de seca e de incêndios florestais.

Em junho, as queimadas ficaram 27% abaixo da média histórica e 14% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Apesar dos números positivos, a possibilidade de intensificação da seca durante os próximos meses mantém o alerta para o risco de incêndios.

El Niño pode alcançar intensidade histórica

As projeções climáticas indicam possibilidade de um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados desde o início das medições.

Estimativas apontam elevada probabilidade de um evento muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027. Em um cenário de maior intensidade, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial poderia apresentar uma anomalia de 2,5°C ou mais no último trimestre do ano.

A intensidade e os impactos efetivos do fenômeno, porém, ainda dependem da evolução das condições atmosféricas e oceânicas nos próximos meses.

Eventos extremos aumentam preocupação

O cenário climático também preocupa pelos impactos econômicos provocados por eventos extremos.

Entre 2022 e 2024, 67 eventos climáticos relevantes provocaram prejuízos estimados em R$ 184 bilhões no Brasil. Apenas uma parcela dessas perdas possuía cobertura de seguros.

Com a possibilidade de alterações mais intensas no regime de chuvas e temperaturas, setores como agricultura, infraestrutura, imóveis, veículos e empresas podem ficar mais expostos aos impactos de eventos extremos.

Paraná também deve acompanhar mudanças

Para o Paraná, os efeitos do El Niño podem incluir mudanças na distribuição das chuvas e aumento da ocorrência de episódios de tempo severo, especialmente durante a primavera.

A população deve acompanhar as atualizações dos órgãos meteorológicos, já que a intensidade e a localização dos eventos podem mudar conforme a evolução do fenômeno.