Quem é Kainan “Monstro”, apontado pela polícia como liderança de facção ligada a homicídios no Paraná
Policial

Quem é Kainan “Monstro”, apontado pela polícia como liderança de facção ligada a homicídios no Paraná

04/09/2026 | 14:13 Por Redacao

Aos 27 anos, Kainan Wesley Batista Meira é alvo de sete mandados de prisão e é investigado por envolvimento em cerca de 30 homicídios, segundo a Polícia Civil

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou uma operação nesta sexta-feira (4) para avançar nas investigações sobre uma organização criminosa relacionada a homicídios registrados em Curitiba e na Região Metropolitana.

Foram expedidos 17 mandados judiciais, sendo oito de prisão temporária e nove de busca e apreensão. Cinco suspeitos foram presos durante a operação, enquanto dois permanecem foragidos.

Entre os principais alvos está Kainan Wesley Batista Meira, de 27 anos, conhecido pelo apelido de “Monstro”. Segundo a investigação policial, ele é apontado como uma das lideranças da organização e é investigado por possível envolvimento em aproximadamente 30 homicídios.

Contra Kainan existem sete mandados de prisão em aberto.

Investigação aponta atuação estruturada

De acordo com a PCPR, a organização criminosa investigada teria atuação no bairro Abranches, em Curitiba, além de ramificações relacionadas ao tráfico de drogas em Colombo e Almirante Tamandaré.

A investigação também aponta que o grupo teria expandido suas atividades para outros estados, incluindo São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Os investigadores conseguiram relacionar diferentes crimes depois de cruzarem informações dos inquéritos com provas obtidas em exames periciais.

Balística ajudou a conectar os homicídios

Inicialmente, os homicídios eram investigados separadamente. O avanço da perícia balística, entretanto, permitiu identificar semelhanças entre diferentes ocorrências.

Segundo a Polícia Civil, exames apontaram o uso das mesmas armas, incluindo espingardas calibre 12, além de um padrão semelhante nos ataques, com múltiplos disparos.

A partir dessas informações, os investigadores passaram a considerar que os crimes poderiam estar relacionados à mesma estrutura criminosa.

Polícia aponta vingança como possível motivação

Segundo a delegada Magda Marina Hofstaetter, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), uma das principais linhas de investigação indica que parte dos crimes teria sido motivada por vingança.

A polícia relaciona a origem dessa motivação à morte do pai de Kainan, Paulo Cesar Batista Meira, assassinado dentro de casa em 2002.

Conforme relatado pela delegada, os criminosos teriam se passado por policiais civis durante o assassinato. Kainan ainda era criança quando presenciou o crime.

A investigação aponta que, anos depois, integrantes do grupo teriam utilizado falsas fardas da Polícia Civil, balaclavas e armas de grosso calibre durante abordagens às vítimas.

Homicídios investigados ocorreram ao longo dos anos

O cruzamento das provas levou a Polícia Civil a relacionar a organização a diversos assassinatos registrados em Curitiba e na Região Metropolitana.

Entre os casos investigados estão:

  • Janeiro de 2022: duplo homicídio em um lava-car na Rodovia dos Minérios;
  • Junho de 2022: assassinato de um parente de Kainan;
  • Maio de 2023: execução de uma vítima atingida por diversos disparos;
  • Outubro de 2024: homicídio registrado em frente a um supermercado;
  • Março de 2025: crime ocorrido nas proximidades de uma unidade de educação infantil, no bairro Abranches.

A Polícia Civil também investiga a possível relação da organização com pelo menos outras nove mortes em Almirante Tamandaré.

Kainan continua foragido

Kainan Wesley Batista Meira e Fernando Gabriel Ferreira da Silva, conhecido como “GB”, são os dois investigados que permanecem foragidos após a operação desta sexta-feira.

As equipes da Polícia Civil continuam realizando diligências para localizar os dois.

Informações que possam ajudar na localização dos investigados podem ser repassadas de forma anônima pelo 197, Disque-Denúncia da Polícia Civil do Paraná, ou pelo 0800-643-1121, da DHPP.

As acusações e suspeitas descritas na investigação ainda dependem do devido processo legal e não representam, por si só, uma condenação judicial.