Durante visita à Polônia, ministro britânico afirmou que a aliança militar não deseja um conflito, mas considera necessário reforçar a defesa diante das ameaças atribuídas a Moscou.
O ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, afirmou nesta terça-feira (27) que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) precisa estar preparada para a possibilidade de uma guerra com a Rússia.
A declaração ocorreu durante uma visita oficial a Varsóvia, capital da Polônia, onde o representante britânico participou de reuniões sobre segurança europeia e assinou um acordo de cooperação militar entre os dois países.
Segundo Streeting, o Reino Unido e os demais integrantes da Otan não desejam entrar em conflito com Moscou. Entretanto, o ministro considera que as declarações do presidente russo, Vladimir Putin, não são suficientes para descartar os riscos de um confronto.
O alerta ocorre em meio às preocupações dos países europeus com a segurança regional e com ações atribuídas à Rússia nas proximidades do território da aliança militar.
Reino Unido alerta para possibilidade de confronto militar
Durante sua passagem por Varsóvia, Wes Streeting afirmou que já havia alertado a população britânica sobre a necessidade de preparação para um eventual conflito envolvendo a Rússia.
“Eu alertei os cidadãos do Reino Unido de que precisamos estar preparados para um cenário em que o Reino Unido e a aliança da Otan se encontrem em guerra com a Rússia”, declarou.
O ministro ressaltou, no entanto, que a preparação militar não significa intenção de iniciar uma guerra.
“Não porque queiramos uma guerra; não temos desavenças com o povo russo e não desejamos uma guerra com a Rússia”, acrescentou.
Streeting destacou que a Otan possui caráter defensivo e que a preocupação está relacionada à necessidade de proteger seus integrantes diante de possíveis ameaças.
Ministro britânico questiona garantias de Vladimir Putin
Um dos principais pontos levantados pelo representante do Reino Unido foi a falta de confiança nas declarações do governo russo sobre suas intenções militares.
Segundo Streeting, as garantias de Vladimir Putin de que a Rússia não pretende provocar uma guerra contra a Otan devem ser analisadas com cautela.
O ministro comparou essas afirmações com declarações feitas pelo presidente russo pouco antes da invasão da Ucrânia.
Na avaliação britânica, esse histórico reforça a necessidade de manter as forças militares preparadas, mesmo diante de manifestações públicas contrárias a um confronto direto.
A declaração representa a posição do ministro britânico e não significa que uma guerra entre a Rússia e a Otan tenha sido anunciada.
Polônia enfrenta ameaças e incursões de drones
Durante a visita, Streeting também comentou os desafios de segurança enfrentados pela Polônia, país que integra a Otan e está localizado próximo à região do conflito entre Rússia e Ucrânia.
O ministro mencionou incursões de drones e situações que exigem a mobilização frequente dos sistemas de defesa aérea poloneses.
Segundo ele, a Polônia enfrenta diariamente ameaças que são classificadas por alguns governos como ações híbridas.
Essas ameaças podem envolver diferentes formas de pressão e operações que não se limitam a confrontos militares convencionais.
Streeting, porém, utilizou uma expressão mais dura para descrever as ações que atribui a Moscou.
Reino Unido acusa Rússia de terrorismo patrocinado pelo Estado
O ministro britânico afirmou que o Kremlin estaria coordenando ações contra integrantes da Otan que, em sua avaliação, representam formas de terrorismo patrocinado pelo Estado.
“Quando a Polônia fala, o Reino Unido responde”, declarou Streeting, ao reafirmar o compromisso britânico com a segurança polonesa.
Ele acrescentou que prefere classificar as ameaças atribuídas à Rússia como “terrorismo patrocinado pelo Estado”, em vez de utilizar apenas a expressão ameaças híbridas.
A acusação foi feita pelo representante do governo britânico.
Segundo Streeting, a Rússia estaria colocando à prova não somente a capacidade de defesa da Polônia, mas também a determinação dos demais países integrantes da Otan.
Reino Unido e Polônia assinam acordo de cooperação militar
Além das declarações sobre a Rússia, a visita a Varsóvia resultou na assinatura de um acordo de cooperação em defesa entre o Reino Unido e a Polônia.
O entendimento foi firmado durante reuniões entre Wes Streeting e o ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz.
A iniciativa busca ampliar a colaboração militar entre os dois países, especialmente em áreas relacionadas à segurança e à indústria de defesa.
A Polônia pretende aproveitar o atual cenário de preocupação com a segurança europeia para fortalecer a cooperação internacional na produção de equipamentos e armamentos.
Polônia quer Reino Unido mais próximo da União Europeia
Durante o encontro, Władysław Kosiniak-Kamysz defendeu uma participação britânica mais ampla nas iniciativas de segurança da União Europeia.
O ministro polonês afirmou que os dois países compartilham posições semelhantes sobre a produção de armamentos e o fortalecimento da indústria militar.
Segundo ele, Varsóvia trabalhará para ampliar a presença do Reino Unido em projetos europeus voltados à defesa.
“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que o Reino Unido desempenhe um papel mais significativo e possa participar das iniciativas da União Europeia destinadas a construir segurança”, declarou Kosiniak-Kamysz.
A proposta busca aproximar a cooperação militar britânica das estratégias desenvolvidas pelos países europeus.
Otan reforça discurso de preparação, mas não anuncia guerra
As declarações do ministro britânico destacam a preocupação com a possibilidade de agravamento das tensões entre a Rússia e os países da Otan.
Apesar do alerta, não houve anúncio de guerra nem indicação de que a aliança militar tenha decidido iniciar um confronto com Moscou.
A posição apresentada pelo Reino Unido é de preparação defensiva diante de um cenário considerado de risco.
O acordo firmado com a Polônia também demonstra a intenção dos dois governos de ampliar a cooperação militar e fortalecer a capacidade de resposta a possíveis ameaças na Europa.





