Presidente americano ainda não havia reconhecido a reeleição de Lula nesta segunda-feira (26). Especialistas avaliam possíveis reflexos diplomáticos e políticos, inclusive sobre a contestação do resultado por Flávio Bolsonaro.
O silêncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais brasileiras de domingo (25), chamou a atenção de analistas internacionais.
Com 100% das urnas apuradas, Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08 de domingo.
Até o início da manhã desta segunda-feira (26), Trump ainda não havia reconhecido publicamente a vitória, diferentemente de outros líderes internacionais que já haviam cumprimentado o presidente reeleito.
Silêncio rompe tradição diplomática
Nas eleições brasileiras de 2002, 2014, 2018 e 2022, os presidentes americanos reconheceram rapidamente os resultados.
Em 2022, Joe Biden parabenizou Lula antes mesmo de Jair Bolsonaro admitir a derrota. Em 2018, Trump telefonou para Jair Bolsonaro ainda na noite da eleição.
Para Christopher Sabatini, pesquisador do Chatham House, a demora pode indicar frustração política pela derrota de um aliado.
Já Anthony Pereira, da Universidade Tulane, avalia que Washington esperava maior aproximação do Brasil com a agenda americana, especialmente em segurança, minerais estratégicos e relações com a China.
Reconhecimento pode influenciar Flávio Bolsonaro
Os especialistas consideram que uma manifestação oficial de Trump poderá influenciar os próximos passos de Flávio Bolsonaro, que pretende contestar o resultado eleitoral.
Segundo Sabatini, o reconhecimento americano reduziria o espaço político para questionamentos apoiados pelo campo bolsonarista.
Entretanto, essa avaliação representa uma interpretação dos especialistas, não uma decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos.
Lula defende política externa independente
Em seu discurso de vitória, Lula afirmou que o Brasil deve manter relações internacionais sem subordinação a outras potências.
O presidente declarou que o país “não aceita ser quintal de ninguém” e criticou interferências externas, sem mencionar diretamente governos estrangeiros.
Apesar das divergências políticas, os analistas acreditam que os interesses comerciais entre Brasil e Estados Unidos podem favorecer a continuidade das negociações.
Entre os assuntos estratégicos estão o comércio bilateral, a exploração de terras raras, a relação com a China e o posicionamento brasileiro no cenário internacional.
Relação entre os países dependerá dos próximos movimentos
Para os especialistas, Trump poderá adotar uma postura pragmática diante da reeleição de Lula, considerando os interesses econômicos compartilhados pelos dois países.
A avaliação é de que o Brasil também poderá buscar maior protagonismo diplomático nas relações com Estados Unidos, Europa e países do Sul Global.
Até a última atualização da reportagem, não havia manifestação pública de Trump reconhecendo o resultado das eleições brasileiras.





