Investigação da Polícia Civil aponta que suspeito utilizou inteligência artificial para criar montagens pornográficas com o rosto da vítima e divulgá-las em uma plataforma de conteúdo adulto.
Investigação identificou autor das publicações
A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito que investigava um caso de crime cibernético registrado no fim de junho deste ano, em Ponta Grossa. A investigação resultou no indiciamento de um homem suspeito de criar e divulgar montagens pornográficas utilizando inteligência artificial (deepfake) com o rosto de uma moradora da cidade.
Segundo a apuração, a vítima começou a receber mensagens de perfis desconhecidos em uma rede social informando que supostas fotos íntimas suas haviam sido publicadas em uma plataforma de conteúdo adulto.
Posteriormente, o investigado enviou imagens manipuladas digitalmente e links que direcionavam para um álbum hospedado em um site pornográfico. No local, foram encontradas montagens criadas com tecnologia de inteligência artificial, nas quais o rosto da vítima foi inserido em corpos de terceiros em cenas de nudez e conteúdo sexual explícito. As publicações ainda continham a identificação da vítima por meio de seu nome de usuário em rede social.
Provas digitais ligaram suspeito ao crime
Durante as investigações, diligências telemáticas permitiram vincular o suspeito ao perfil responsável pelas publicações na plataforma. A Polícia Civil também constatou que o homem tentava manter contato com a vítima desde 2023 por meio das redes sociais, sem sucesso.
De acordo com o inquérito, as evidências apontam que a criação e divulgação das imagens ocorreram como forma de retaliação pelo fato de o investigado ter sido ignorado pela vítima.
Site removeu o conteúdo após pedido da Polícia Civil
Em depoimento, o suspeito alegou que seus dispositivos teriam sido invadidos por terceiros. No entanto, conforme a investigação, a versão apresentada não foi confirmada pelas provas técnicas reunidas durante o inquérito.
O homem foi formalmente indiciado pelo crime previsto no artigo 218-C, § 1º, do Código Penal, que trata da divulgação ou difusão de material pornográfico, incluindo montagens que simulem a participação de uma vítima real em cenas de nudez ou atos sexuais, com agravante relacionada à prática por vingança.
Após solicitação da autoridade policial, a plataforma de conteúdo adulto removeu as imagens.
O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que irão analisar as medidas legais cabíveis.





