Tornado que atingiu Piraí do Sul foi classificado como F3, com ventos estimados em até 332 km/h
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Tornado que atingiu Piraí do Sul foi classificado como F3, com ventos estimados em até 332 km/h

17/08/2026 | 10:14 Por Redacao

Simepar concluiu análise do fenômeno registrado em 8 de agosto; tornado deixou um rastro de destruição de pelo menos 17,3 quilômetros na zona rural

Fenômeno foi associado a uma supercélula formada durante condições atmosféricas favoráveis

O tornado que atingiu Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, no dia 8 de agosto, foi classificado como F3 na Escala Fujita, segundo análise concluída pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

De acordo com o levantamento, os ventos foram estimados entre 253 km/h e 332 km/h. O fenômeno deixou um caminho contínuo de destruição de pelo menos 17,3 quilômetros pela área rural do município, passando por localidades como Jararaca, Fundão e Boa Vista.

Análise considerou diferentes evidências

Para reconstruir a trajetória e estimar a intensidade do tornado, técnicos analisaram informações obtidas durante vistorias em campo, imagens de radar meteorológico e levantamentos realizados por meio de drones.

A Defesa Civil do Paraná também participou dos trabalhos. Fotografias e vídeos feitos por moradores durante a passagem do fenômeno contribuíram para identificar diferentes etapas do evento, desde a formação e intensificação até o deslocamento e a dissipação.

Estragos indicaram a força dos ventos

Entre os principais vestígios encontrados estavam danos severos em construções de alvenaria e madeira, além de uma torre de transmissão de energia elétrica.

Árvores de grande porte, incluindo araucárias, tiveram os troncos rompidos aproximadamente na metade da altura. Fragmentos de telhas, madeira e galhos também foram lançados pela força dos ventos e encontrados cravados no solo ou em troncos de árvores.

Em áreas de pastagem, os técnicos identificaram ranhuras e pontos de retirada da vegetação e da camada superficial do terreno.

Esses danos foram utilizados para estimar a intensidade máxima do tornado dentro dos critérios da Escala Fujita.

Velocidade dos ventos é uma estimativa

O Simepar destaca que a faixa de 253 km/h a 332 km/h não corresponde a uma medição direta dos ventos durante a passagem do tornado.

Os valores são estimativas calculadas a partir da intensidade e das características dos danos encontrados nas áreas atingidas.

Condições atmosféricas favoreceram a formação

A formação do tornado ocorreu em meio a uma combinação de condições atmosféricas favoráveis ao desenvolvimento de tempestades severas.

O ar quente e úmido vindo do Norte do país contribuiu para alimentar a instabilidade, enquanto um sistema de baixa pressão atuava sobre o Paraguai e uma frente fria avançava pelo Sul do Brasil.

Outro fator importante foi o cisalhamento do vento, caracterizado por mudanças na velocidade ou na direção dos ventos conforme a altitude.

A combinação dessas condições favoreceu a organização de tempestades severas entre a tarde e o início da noite de 8 de agosto. Nesse cenário, desenvolveu-se a supercélula responsável pelo tornado que atingiu Piraí do Sul.

Rastro de destruição passou de 17 quilômetros

Para determinar a trajetória do fenômeno, técnicos reuniram fotografias, coordenadas geográficas dos pontos atingidos e imagens aéreas das comunidades rurais.

Após o processamento e georreferenciamento das informações, foi possível reconstruir um caminho contínuo de pelo menos 17,3 quilômetros.

A análise do Simepar confirma a intensidade do fenômeno que atingiu Piraí do Sul e permite dimensionar, com base nos danos observados, a força dos ventos que provocaram a destruição na zona rural do município.