Ricardo Seidi Shigematsu admitiu pela primeira vez ter matado a menina de 11 anos; avó paterna foi absolvida pelo júri
Ricardo Seidi Shigematsu confessou durante o júri popular ter assassinado a filha Eduarda Shigematsu, de 11 anos. Ele foi condenado a 23 anos, 6 meses e 22 dias de prisão pelo crime.
A avó paterna da menina, Terezinha de Jesus Guinaia, foi absolvida pelo conselho de sentença.
O julgamento começou na quarta-feira (16) e terminou nesta quinta-feira (17), em Maringá, no Norte do Paraná. O júri ocorreu sete anos após o crime e depois de oito adiamentos.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou que Ricardo pague R$ 90 mil de reparação mínima por danos morais à mãe da vítima.
Pai mudou versão apresentada durante investigação
Antes da confissão durante o julgamento, Ricardo afirmava que havia encontrado a filha morta e que ela teria sido enforcada.
A perícia, porém, apontou que a causa da morte foi esganadura, contrariando a versão apresentada pelo pai.
Segundo a investigação da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, Eduarda foi morta pelo pai e teve o corpo ocultado posteriormente.
Ricardo respondia por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Crimes atribuídos a Ricardo
De acordo com a sentença, Ricardo foi responsabilizado pelos seguintes crimes:
- homicídio consumado, com qualificadoras de asfixia, dificultação da defesa da vítima e violência de gênero;
- ocultação de cadáver, com agravante de violência doméstica;
- falsidade ideológica.
No caso de Eduarda, o feminicídio é tratado como qualificadora porque se tornou crime autônomo em 2024, por meio da Lei nº 14.994. O assassinato da menina, entretanto, aconteceu em 2019.
Avó é absolvida
Terezinha de Jesus Guinaia tinha a guarda judicial de Eduarda e também respondia no processo por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Segundo o Ministério Público, ela teria contribuído para a morte da menina ao permitir que ela permanecesse sob os cuidados do pai. A acusação também apontava que pai e avó teriam tentado dificultar as investigações.
O conselho de sentença, porém, recusou as acusações contra Terezinha e determinou sua absolvição.
A defesa da avó afirmou que a decisão fez justiça e que não havia provas suficientes para uma condenação.
Relembre o desaparecimento de Eduarda
Eduarda desapareceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia, no Norte do Paraná.
Segundo as informações divulgadas na época, a menina foi à escola pela manhã, voltou para casa, deixou a mochila no sofá e não foi mais vista.
Uma câmera de segurança registrou Eduarda chegando à residência onde vivia com a família às 11h52. Não foram registradas imagens dela deixando o local.
No dia seguinte, 25 de abril, Terezinha, avó paterna e responsável pela guarda da menina, registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento.
O pai, Ricardo Seidi, também publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo ajuda para localizar a filha.
Corpo foi encontrado quatro dias depois
O corpo de Eduarda foi localizado por volta das 14h30 de 28 de abril de 2019, quatro dias após o desaparecimento.
Uma denúncia anônima levou a Polícia Militar até o local. O corpo estava enterrado nos fundos de uma casa pertencente à família.
Eduarda estava com pés e mãos amarrados, uma corda no pescoço e a cabeça envolvida por um saco preto e uma toalha.
O laudo da Polícia Científica apontou que a menina morreu por esganadura.
Versão do pai foi contrariada pela perícia
Na época, Ricardo havia declarado à polícia que encontrou a filha enforcada no quarto e que, desesperado, decidiu esconder o corpo em outro imóvel da família.
Segundo essa versão, ele teria colocado o corpo em um buraco existente no local, relacionado a uma fossa, e depois fechado o espaço com cimento.
A perícia, entretanto, identificou a esganadura como causa da morte, contrariando a versão de enforcamento apresentada pelo pai.
Em 29 de abril de 2019, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária de Ricardo Seidi. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.
Com a confissão apresentada no júri, o caso teve uma nova etapa judicial concluída sete anos após a morte de Eduarda.





