Documento apresentado a cinco órgãos de Justiça reúne denúncias de agressões, ameaças, assédio eleitoral e possíveis abusos de autoridade em municípios do Paraná, incluindo Castro.
Um dossiê apresentado pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) reúne denúncias de violência política, ameaças, agressões físicas e assédio eleitoral que teriam ocorrido no Paraná após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2026.
O documento, assinado pelo presidente estadual da Federação, Arilson Chiorato, foi protocolado em cinco órgãos do sistema de Justiça, com pedidos de investigação, identificação dos responsáveis e adoção de medidas de proteção às vítimas e testemunhas.
Entre as ocorrências relatadas estão atropelamentos, disparos de arma de fogo, depredação de patrimônio, ameaças em redes sociais e denúncias de pressão contra trabalhadores por suas posições políticas.
Os episódios foram reunidos a partir de registros policiais, reportagens, vídeos, publicações na internet e relatos encaminhados à Federação. As acusações ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Castro está entre as cidades citadas no documento
Um dos casos mencionados no dossiê envolve o atropelamento de uma mulher em Castro, nos Campos Gerais, que teria sofrido ferimentos graves.
O documento também cita a morte de Eliseu Pedrozo dos Santos, atropelado durante uma comemoração eleitoral no município de Mangueirinha.
Outras denúncias incluem agressões registradas durante comemorações relacionadas às eleições em cidades como Matinhos e São Miguel do Iguaçu.
Também foram relatadas situações envolvendo a atuação de agentes de segurança pública em Guarapuava e Apucarana.
A Federação pede que as circunstâncias de cada ocorrência sejam investigadas individualmente, incluindo a eventual existência de motivação política e a identificação dos responsáveis.
Denúncias de assédio eleitoral no trabalho chegam a 198
Além dos episódios de violência, o dossiê destaca o crescimento das denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho.
Conforme dados do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) reproduzidos no documento, o número de denúncias apresentou aumento durante o mês de outubro.
<text weight=”medium”>Evolução das denúncias de assédio eleitoral no Paraná:</text>
| Data | Número de denúncias |
|---|---|
| 4 de outubro — final do primeiro turno | 75 |
| 25 de outubro — noite do segundo turno | 142 |
| 27 de outubro | 198 |
Os números representam denúncias recebidas, não casos necessariamente comprovados.
Segundo a Federação, parte dos relatos envolve possíveis ameaças de demissão, discriminação política e tentativas de constranger trabalhadores em razão de suas escolhas eleitorais.
O documento solicita a análise dessas condutas nas esferas trabalhista, eleitoral e penal.
Vereadores de Curitiba e Londrina são mencionados
O dossiê também questiona publicações atribuídas a agentes políticos que teriam incentivado empresários a demitir funcionários por suas posições políticas ou pelo voto nas eleições.
Entre os nomes mencionados estão o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) e a vereadora de Londrina Jessicão (PL).
Conforme as informações apresentadas, ambos foram acionados individualmente na Justiça.
A Federação solicita que as manifestações atribuídas aos parlamentares sejam examinadas pelos órgãos competentes, inclusive quanto à eventual necessidade de retirada de conteúdos considerados irregulares.
A existência de ações judiciais ou denúncias não representa, por si só, comprovação das irregularidades apontadas.
Federação pede investigação de agressões e ameaças
O presidente estadual da Federação Brasil da Esperança, Arilson Chiorato, afirmou que as ocorrências relatadas exigem uma resposta coordenada das instituições.
Segundo ele, o documento reúne episódios de violência física, atropelamentos, ameaças, disparos de armas de fogo e possíveis práticas discriminatórias relacionadas à política.
“Não são fatos isolados. Por isso, exigimos uma atuação coordenada das autoridades. Queremos a apuração de cada caso e a responsabilização de seus autores”, declarou.
Chiorato também destacou a preocupação com possíveis abusos de autoridade policial e situações de boicote a comerciantes.
A Federação defende a abertura de procedimentos específicos para verificar os fatos e, caso sejam confirmadas infrações, responsabilizar os envolvidos.
Cinco órgãos receberam o dossiê; veja o que foi solicitado
Os documentos foram encaminhados a instituições com diferentes atribuições nas áreas criminal, eleitoral, trabalhista e judicial.
Ministério Público do Paraná (MPPR)
A Federação solicita a investigação criminal das agressões, ameaças e atropelamentos relatados.
Também pede a requisição de inquéritos, perícias e imagens de câmeras, além da identificação dos possíveis autores.
O pedido inclui o controle externo da atividade policial, previsto no artigo 129, inciso VII, da Constituição Federal.
Ministério Público Eleitoral
O órgão foi acionado para examinar possíveis práticas de coação eleitoral e assédio relacionadas ao exercício do voto.
A solicitação contempla ocorrências vinculadas ao processo eleitoral, inclusive no período que antecede a diplomação dos eleitos.
Ministério Público do Trabalho (MPT-PR)
A Federação pede a apuração de denúncias de assédio eleitoral, ameaças de demissão e discriminação política nas relações de trabalho.
Também solicita medidas para interromper eventuais práticas irregulares.
Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR)
O pedido foi encaminhado à Presidência e à Corregedoria-Geral da Justiça.
O objetivo é dar conhecimento dos fatos ao Judiciário estadual e solicitar o acompanhamento das medidas judiciais eventualmente adotadas nas comarcas envolvidas, inclusive para proteção das vítimas.
Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR)
O tribunal recebeu solicitação de acompanhamento e avaliação das providências cabíveis no âmbito da Justiça Eleitoral.
O pedido também envolve a atuação das zonas eleitorais relacionadas aos episódios denunciados.
Documento solicita proteção de vítimas e testemunhas
Além da apuração das denúncias, a Federação Brasil da Esperança pede medidas destinadas à segurança das pessoas envolvidas nos episódios relatados.
Entre as solicitações estão a proteção de vítimas e testemunhas, a investigação de possíveis excessos praticados por agentes públicos e a avaliação de eventual responsabilização disciplinar.
Caso alguma instituição não tenha competência para analisar determinada ocorrência, o documento solicita o encaminhamento à autoridade responsável e a comunicação das providências adotadas.
Até as informações apresentadas, o protocolo do dossiê representa um pedido formal de investigação, e não a confirmação judicial das acusações.
A apuração deverá esclarecer as circunstâncias de cada episódio, verificar eventuais motivações políticas e estabelecer responsabilidades quando houver elementos suficientes.





