Ponta Grossa solta mosquitos com bactéria para combater a dengue; veja os bairros atendidos
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Ponta Grossa solta mosquitos com bactéria para combater a dengue; veja os bairros atendidos

31/10/2026 | 12:00 Por Redação MZ

Nova estratégia de combate à dengue utiliza o Método Wolbachia, que reduz a capacidade do Aedes aegypti de transmitir doenças. Soltura começou em 20 de outubro e será realizada durante 26 semanas.

A cidade de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, iniciou uma nova estratégia de combate à dengue com a liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam uma bactéria capaz de reduzir a transmissão de doenças.

A iniciativa utiliza o chamado Método Wolbachia, uma tecnologia que busca diminuir a circulação dos vírus da dengue, zika e chikungunya por meio da introdução de mosquitos portadores da bactéria na população local.

A soltura começou em 20 de outubro e será realizada gradualmente durante 26 semanas, abrangendo 5,3 mil pontos distribuídos pelo Centro e por sete bairros do município.

A implantação do projeto também foi acompanhada pela inauguração de uma biofábrica em Ponta Grossa, responsável pelas etapas finais de desenvolvimento dos mosquitos antes da liberação.

Veja os bairros de Ponta Grossa que receberão os mosquitos

A Prefeitura de Ponta Grossa definiu áreas estratégicas para a implantação da tecnologia.

Os pontos de soltura estão distribuídos nas seguintes localidades:

  • Centro;
  • Uvaranas;
  • Oficinas;
  • Cará-Cará;
  • Contorno;
  • Colônia Dona Luiza;
  • Chapada;
  • Ronda.

Ao todo, 5.300 pontos foram selecionados para receber os mosquitos ao longo do período previsto.

A distribuição será feita de maneira gradual, conforme o planejamento das equipes responsáveis.

Como funciona o Método Wolbachia?

O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, capaz de dificultar a multiplicação de determinados vírus no organismo do inseto.

Com isso, os mosquitos passam a apresentar uma capacidade reduzida de transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya.

A estratégia não consiste em eliminar imediatamente os mosquitos existentes na cidade.

O objetivo é fazer com que os insetos portadores da bactéria se reproduzam com os mosquitos locais, permitindo que a Wolbachia seja transmitida às gerações seguintes.

Dessa forma, a expectativa é aumentar progressivamente a proporção de mosquitos com menor capacidade de transmitir os vírus.

Tecnologia já apresentou redução de 89% nos casos de dengue em Niterói

Segundo a Prefeitura de Ponta Grossa, pesquisas sobre a eficácia do método indicam que uma maior presença de mosquitos com Wolbachia está associada à redução dos casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Um dos exemplos apresentados é o município de Niterói, no Rio de Janeiro, onde a tecnologia já alcançou todo o território municipal.

Conforme os dados citados pela administração de Ponta Grossa, a cidade fluminense registrou redução de 89% nos casos de dengue.

O resultado é utilizado como referência para a implantação da estratégia em outros municípios brasileiros.

Isso não significa, porém, que o mesmo percentual de redução ocorrerá necessariamente em Ponta Grossa, já que os resultados dependem das condições locais e do estabelecimento da bactéria na população de mosquitos.

Ponta Grossa inaugura biofábrica para preparação dos mosquitos

Além da liberação dos insetos, Ponta Grossa passou a contar com uma estrutura destinada à preparação dos mosquitos utilizados no projeto.

A biofábrica possui um núcleo de produção que acompanha o desenvolvimento dos chamados Wolbitos, desde a fase de ovo até a fase adulta.

O processo começa com o recebimento de cápsulas contendo ovos e ração.

Quando colocados em contato com a água, os ovos iniciam o desenvolvimento, passando pelas etapas necessárias até a formação dos mosquitos adultos.

Após essa fase, os insetos são preparados para a distribuição nas áreas previamente selecionadas.

A liberação é realizada com o auxílio de veículos que percorrem rotas definidas para atender aos pontos estabelecidos no município.

Projeto reúne Prefeitura, Ministério da Saúde e Fiocruz

A implantação do Método Wolbachia em Ponta Grossa é resultado de uma parceria entre diferentes instituições.

Participam da iniciativa:

  • Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Grossa;
  • Ministério da Saúde;
  • Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz);
  • Wolbito do Brasil.

A atuação conjunta envolve a preparação dos mosquitos, a estrutura necessária para o desenvolvimento dos insetos e a organização das etapas de soltura.

A expectativa é que, com o passar do tempo, a bactéria esteja presente em uma parcela cada vez maior dos mosquitos da cidade.

Método não substitui os cuidados contra a dengue

Embora represente uma nova ferramenta de saúde pública, o Método Wolbachia não elimina a necessidade de prevenção contra o mosquito transmissor da dengue.

A população deve continuar adotando medidas para evitar a formação de criadouros, principalmente em recipientes que possam acumular água parada.

Entre os cuidados recomendados estão manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas, descartar corretamente materiais que acumulam água e verificar vasos de plantas e outros recipientes nos imóveis.

A liberação dos mosquitos com Wolbachia integra uma estratégia de controle da transmissão das doenças, mas não substitui as ações tradicionais de combate ao Aedes aegypti.

Soltura seguirá por aproximadamente seis meses

Iniciada em 20 de outubro, a operação terá duração prevista de 26 semanas, período em que os mosquitos serão liberados progressivamente nos bairros selecionados.

O projeto pretende estabelecer uma população de Aedes aegypti com Wolbachia, reduzindo a capacidade de circulação dos vírus transmitidos pelo inseto.

A iniciativa representa uma nova etapa nas ações de prevenção à dengue em Ponta Grossa, com o uso de tecnologia biológica associada às medidas tradicionais de saúde pública.