Atogepanto amplia as opções de tratamento para adultos com enxaqueca episódica ou crônica
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o registro do atogepanto, medicamento oral desenvolvido pela farmacêutica AbbVie para a prevenção da enxaqueca em adultos. A aprovação amplia as alternativas disponíveis para pacientes que enfrentam crises recorrentes da doença.
O medicamento, comercializado como Aquipta, é indicado para adultos que apresentam pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca de intensidade moderada a grave e que não respondem de forma suficiente aos tratamentos disponíveis.
Como o medicamento atua
O atogepanto pertence à classe dos chamados gepantos, medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente na via do CGRP, uma substância envolvida nos mecanismos da dor e da enxaqueca.
Ao bloquear o receptor do CGRP, o medicamento interfere em um dos mecanismos relacionados às crises. Uma característica dessa classe é não provocar vasoconstrição, diferentemente de alguns tratamentos utilizados anteriormente, o que pode representar uma alternativa para determinados pacientes com restrições cardiovasculares.
O atogepanto é administrado por via oral e tem como foco a prevenção das crises. A indicação contempla tanto a enxaqueca episódica quanto a crônica.
Estudos mostraram redução das crises
A decisão da Anvisa considerou resultados dos estudos clínicos de fase 3 ADVANCE e PROGRESS, que avaliaram a eficácia e a segurança do medicamento em adultos com diferentes formas de enxaqueca.
No estudo ADVANCE, que envolveu 910 participantes com enxaqueca episódica, o uso diário de 60 mg de atogepanto levou a uma redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias entre os participantes que receberam placebo.
Já no PROGRESS, realizado com 778 adultos com enxaqueca crônica, a redução média chegou a 6,9 dias de enxaqueca por mês, enquanto o grupo que recebeu placebo apresentou redução de 5,1 dias.
Nos dois estudos, os efeitos adversos observados foram predominantemente leves ou moderados. Entre os mais relatados estão náusea, constipação e fadiga.
Atogepanto é diferente do rimegepanto
O novo medicamento passa a integrar a mesma classe do rimegepanto, comercializado como Nurtec ODT, que recebeu aprovação da Anvisa em maio de 2026.
Apesar de atuarem na mesma via, os medicamentos possuem diferenças. O rimegepanto pode ser utilizado tanto para o tratamento de uma crise quanto para prevenção da enxaqueca episódica, enquanto o atogepanto possui indicação voltada à prevenção e é administrado diariamente.
A chegada dos gepantos representa uma nova abordagem para o tratamento preventivo, que durante décadas contou com medicamentos de outras classes, como alguns antidepressivos, anticonvulsivantes e remédios utilizados para controle da pressão arterial.
Medicamento ainda não tem preço definido no Brasil
Apesar da aprovação do registro, o atogepanto ainda não está disponível nas farmácias brasileiras.
Antes do início da comercialização, o medicamento precisa passar pela definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Por isso, ainda não há uma previsão oficial de quanto o produto custará no país.
O acesso aos novos tratamentos também permanece como uma questão para pacientes do sistema público. As terapias mais recentes dessa classe ainda não fazem parte da oferta de rotina do SUS para prevenção da enxaqueca.
Enxaqueca atinge milhões de brasileiros
A enxaqueca é uma doença neurológica que pode provocar crises recorrentes de dor moderada a intensa, frequentemente acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som.
No Brasil, a condição afeta aproximadamente 30 milhões a 34 milhões de pessoas, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia. O número corresponde a cerca de 15% da população.
Além dos medicamentos, especialistas destacam a importância de medidas como manter uma rotina regular de sono, praticar atividade física e evitar o uso excessivo de remédios para aliviar a dor, já que o abuso de analgésicos pode contribuir para o surgimento de dores de cabeça recorrentes.





