A candidatura da diplomata dos Emirados Árabes Unidos, Lana Nusseibeh, ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) passou a enfrentar forte resistência de organizações de direitos humanos e representantes da diáspora sudanesa.
As críticas ganharam força nesta sexta-feira (30), após grupos denunciarem a atuação da diplomata diante das acusações de que os Emirados estariam apoiando as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar envolvido na guerra civil do Sudão.
A RSF é acusada de cometer graves violações contra civis, incluindo assassinatos em massa e atrocidades na região de Darfur. A ofensiva sobre El Fasher, em outubro de 2025, foi apontada pela ONU como uma ação com características de genocídio.
Nusseibeh, que representou os Emirados na ONU até 2024, tem defendido a posição oficial de seu país e negado as acusações de apoio ao grupo paramilitar.
Ativistas sudaneses afirmam que a escolha de uma representante dos Emirados para comandar a organização poderia comprometer a confiança das vítimas na capacidade da ONU de cobrar responsabilidades de governos envolvidos em conflitos.
A diplomata declarou que, caso seja escolhida, apoiará o trabalho das missões de investigação e os mecanismos de responsabilização por crimes cometidos durante a guerra. Ela também afirmou ter se afastado temporariamente de seu cargo ministerial para respeitar a independência exigida pela função.
A escolha do próximo secretário-geral depende de uma votação no Conselho de Segurança. O candidato precisa obter pelo menos nove votos favoráveis entre os 15 integrantes e não receber veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia.
A disputa ocorre em meio à preparação para a saída de António Guterres, que encerra seu segundo mandato de cinco anos no comando da organização.





