Polícia Civil afirma que líderes religiosos utilizavam normas internas da instituição para intimidar vítimas e dificultar denúncias. Casal está foragido e nega as acusações.
Investigação aponta abuso de autoridade religiosa
A Polícia Civil investiga os pastores Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, por suspeita de crimes sexuais contra seis adolescentes em Boa Vista (RR).
Segundo a investigação, o casal utilizava a posição de liderança religiosa e regras internas da igreja para intimidar vítimas e dificultar denúncias. Ambos estão foragidos.
A defesa informou que os investigados são inocentes, não possuem antecedentes criminais e ainda busca acesso aos autos do processo para se manifestar oficialmente.
Estatuto previa punição para membros considerados “rebeldes”
De acordo com a Polícia Civil, o estatuto da igreja, elaborado em agosto de 2021, estabelecia normas disciplinares que, segundo os investigadores, reforçavam a autoridade do pastor e dificultavam qualquer contestação à liderança.
Entre as regras estava a possibilidade de desligamento de membros que promovessem “rebeldia” ou se opusessem à autoridade da igreja, além de sanções para condutas consideradas incompatíveis com os princípios da instituição.
A investigação sustenta que essa estrutura teria contribuído para criar um ambiente de intimidação psicológica e espiritual, principalmente entre adolescentes.
Polícia aponta manipulação das vítimas
Conforme as investigações, Wenderson se apresentava como principal autoridade religiosa da congregação e convencia as vítimas de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual.
A Polícia Civil afirma que essa relação de autoridade teria dificultado a resistência e as denúncias por parte das adolescentes.
Até o momento, foram identificadas seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos.
Casal responde por diversos crimes
Wenderson é investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Já Arielly é investigada por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Caso começou após denúncia de adolescente
As investigações tiveram início em abril deste ano, após a denúncia de uma adolescente de 14 anos. No decorrer da apuração, outras cinco adolescentes procuraram a Polícia Civil e relataram supostos abusos.
O caso segue sob investigação e as autoridades continuam realizando diligências para localizar os suspeitos e esclarecer todos os fatos.




