Contas públicas registram déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, informa Banco Central
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Contas públicas registram déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, informa Banco Central

31/07/2026 | 13:21 Por Redacao

Resultado negativo foi maior que o registrado no mesmo período de 2025. Com despesas de juros, déficit nominal alcança R$ 1,32 trilhão em 12 meses, equivalente a 10% do PIB.

Déficit aumentou em relação ao ano passado

As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central (BC).

O resultado considera as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais, mas não inclui as despesas com juros da dívida pública.

Na comparação com junho de 2025, houve piora no resultado. No mesmo mês do ano passado, o déficit primário havia sido de R$ 47,1 bilhões.

Governo federal respondeu pela maior parte do resultado

Segundo o Banco Central, o desempenho das contas públicas em junho foi composto por:

  • Governo federal: déficit de R$ 47,2 bilhões;
  • Estados e municípios: déficit de R$ 6,6 bilhões;
  • Empresas estatais: déficit de R$ 1,47 bilhão.

O déficit primário ocorre quando as despesas superam as receitas obtidas com tributos e impostos.

Primeiro semestre também registra resultado negativo

No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o déficit primário do setor público chegou a R$ 80,2 bilhões, o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

No mesmo período de 2025, havia sido registrado um superávit de R$ 22 bilhões, correspondente a 0,35% do PIB.

Segundo o Banco Central, a piora do resultado está relacionada, entre outros fatores, à antecipação do pagamento de precatórios realizada neste ano pelo Tesouro Nacional.

Considerando apenas o governo federal, o déficit acumulado no primeiro semestre foi de R$ 93,4 bilhões, ante saldo negativo de R$ 12,3 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior.

Meta fiscal prevê superávit em 2026

A meta fiscal estabelecida para este ano prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do PIB, estimado em aproximadamente R$ 34,3 bilhões.

Pelas regras do arcabouço fiscal, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para o cumprimento da meta. Além disso, a legislação permite a exclusão de determinadas despesas do cálculo, como parte dos gastos com precatórios.

A previsão oficial do governo é encerrar 2026 com déficit próximo de R$ 52 bilhões, considerando os abatimentos permitidos pela legislação.

Déficit nominal chega a R$ 1,32 trilhão

Quando são incorporadas as despesas com juros da dívida pública, o chamado resultado nominal apresentou déficit de R$ 166 bilhões em junho.

No acumulado de 12 meses até junho, o rombo nas contas públicas atingiu R$ 1,32 trilhão, o equivalente a 10% do PIB.

Esse indicador é acompanhado por agências internacionais de classificação de risco e por investidores, pois reflete a necessidade de financiamento do setor público.

Segundo o Banco Central, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,16 trilhão nos últimos 12 meses, o equivalente a 8,8% do PIB.