Operações apuram suspeitas de cobranças ilegais de motoristas; sete policiais rodoviários estaduais foram afastados das funções operacionais
Operações investigam possíveis crimes de corrupção
Os Núcleos de Guarapuava e Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagraram duas operações voltadas à apuração de possíveis crimes praticados por policiais rodoviários estaduais.
As ações, denominadas segunda fase da Operação Rota 466 e Operação Via Pix, resultaram no cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão e outras medidas judiciais contra investigados.
Segunda fase da Operação Rota 466
Na segunda fase da Operação Rota 466, o Núcleo de Guarapuava do Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, três mandados de busca pessoal, um mandado de prisão e medidas de arresto de bens e contas bancárias.
As ordens foram cumpridas em Guarapuava, Imbituva, Ponta Grossa, Laranjeiras do Sul, Guaraniaçu e Pitanga.
A nova etapa teve como objetivo aprofundar as investigações após a identificação de indícios de crimes envolvendo outros três policiais militares que ainda não haviam sido alvos na primeira fase. Dois deles pertenciam à Polícia Rodoviária Estadual.
Os policiais foram afastados de suas funções operacionais.
Investigação aponta cobrança de propina
Segundo as investigações, os agentes exigiam propina de condutores flagrados em infrações de trânsito e também de pessoas que atuavam no salvamento de cargas de veículos tombados.
Os fatos investigados podem configurar crimes de concussão, corrupção passiva e lavagem de ativos.
Também foram identificadas pessoas físicas e empresas que teriam sido utilizadas para a lavagem dos valores provenientes das supostas propinas. Contas bancárias relacionadas a esses envolvidos também foram alvo de medidas judiciais.
Um ex-comandante do Posto de Polícia Rodoviária de Guarapuava, que já havia sido alvo da primeira fase da operação, foi preso preventivamente.
Conforme a investigação, após o início das apurações, foram descobertos outros crimes de corrupção supostamente praticados pelo ex-comandante. Ele teria recebido pelo menos R$ 47 mil em propina e também teria tentado atrapalhar as investigações, dificultando a obtenção de provas.
Operação Via Pix cumpre 19 mandados
Já o Núcleo de Ponta Grossa do Gaeco, também com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em residências e postos policiais.
As ações ocorreram em Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Arapoti, Wenceslau Braz e Siqueira Campos.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual, que também determinou o afastamento das funções operacionais de sete policiais rodoviários estaduais e o bloqueio de contas bancárias.
Motoristas relataram extorsões
As investigações da Operação Via Pix começaram em março de 2025, a partir de informações repassadas ao Ministério Público pelo 4º Comando Regional da Polícia Militar.
Motoristas profissionais procuraram o comando e relataram que estariam sendo extorquidos por policiais rodoviários na região de Piraí do Sul.
A apuração apontou, segundo o Ministério Público, a existência de uma estrutura de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveria policiais militares, empresas e civis.
Durante fiscalizações em rodovias estaduais, blitzes ou nas proximidades de postos policiais, os investigados teriam exigido vantagens indevidas de motoristas sob diferentes pretextos, alguns deles sem base legal.
Ainda conforme a investigação, os veículos somente eram liberados após o pagamento, que poderia ser realizado em dinheiro ou por meio de transferências bancárias via PIX.
Os valores eram direcionados, em muitos casos, para contas de empresas e civis apontados como possíveis “laranjas”.
Quase 100 motoristas foram identificados
A investigação conseguiu identificar quase uma centena de motoristas que teriam realizado pagamentos após exigências dos policiais.
Parte dessas pessoas já foi ouvida durante a apuração.
Somente com base nas contas bancárias identificadas até o momento, os investigados teriam recebido ilegalmente cerca de R$ 140 mil por meio de pagamentos via PIX entre dezembro de 2024 e agosto de 2025.
As investigações seguem para esclarecer a participação dos envolvidos e a extensão dos fatos apurados.




