Professor Ricardo Fontes diz ter rejeitado uma proposta de R$ 350 milhões de fundos de Wall Street e afirma que pretende disponibilizar seu algoritmo para investidores brasileiros.
O matemático Ricardo Fontes afirma ter recusado uma oferta de R$ 350 milhões feita por grandes fundos de investimento de Wall Street para manter o controle sobre um algoritmo desenvolvido ao longo de 11 anos. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo desejo de tornar a tecnologia acessível aos brasileiros, em um cenário de baixa rentabilidade das aplicações tradicionais.
Tecnologia desenvolvida ao longo de mais de uma década
Em entrevista concedida em seu escritório, localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo, o professor Ricardo Fontes, de 71 anos, relata que dedicou 11 anos ao desenvolvimento de um sistema inicialmente voltado à pesquisa acadêmica em sistemas dinâmicos não lineares.
De acordo com o matemático, o trabalho ganhou notoriedade após ele receber, há dois anos, um prêmio europeu voltado à pesquisa em dinâmica não linear, reconhecimento que despertou o interesse de grandes investidores internacionais.
Segundo Fontes, a proposta recebida de fundos de Wall Street previa a aquisição do algoritmo por R$ 350 milhões, oferta que ele afirma ter recusado.
Decisão teria sido motivada por questões pessoais
Ao explicar sua escolha, o professor afirma que, caso aceitasse a proposta, a tecnologia ficaria restrita ao uso de grandes investidores.
“Se eu tivesse aceitado esse dinheiro, o algoritmo hoje estaria trancado em um cofre digital. Serviria para tornar bilionários ainda mais ricos — ou pior, não serviria para ninguém”, declarou.
Ele também relata que a decisão foi influenciada por experiências pessoais. Segundo Fontes, a doença de sua esposa, Catarina, fez com que refletisse sobre a fragilidade da segurança financeira, mesmo para famílias que acumularam patrimônio ao longo da vida.
Críticas ao rendimento da poupança
Durante a entrevista, Ricardo Fontes afirma que a queda da rentabilidade da caderneta de poupança tem aumentado a preocupação de muitos brasileiros em relação ao futuro financeiro.
Segundo ele, passou a observar colegas e trabalhadores que, após décadas de dedicação profissional, enfrentam incertezas sobre a capacidade de manter suas despesas, mesmo possuindo recursos depositados em instituições financeiras.
Na avaliação do professor, “a matemática da poupança brasileira havia se tornado a matemática das perdas”, resumindo sua percepção sobre o cenário econômico e o rendimento das aplicações tradicionais.




