SparroWocky permite roubar documentos, capturar telas e controlar computadores remotamente; 90% das detecções recentes do grupo FamousSparrow ocorreram na região.
Órgãos públicos de diferentes países da América Latina se tornaram os principais alvos de uma nova ofensiva de espionagem cibernética atribuída por pesquisadores ao grupo FamousSparrow, associado por empresas de segurança digital a interesses chineses.
A campanha ocorre desde meados de 2025 e utiliza um novo programa malicioso chamado SparroWocky. Segundo levantamento da empresa de cibersegurança ESET, aproximadamente 90% das detecções recentes relacionadas ao grupo foram registradas na América Latina.
O governo da China costuma negar acusações de envolvimento em operações de espionagem digital e afirma que o país também é alvo de ataques cibernéticos estrangeiros.
Vírus permite controlar computadores à distância
O SparroWocky funciona como uma espécie de porta dos fundos instalada nos computadores das vítimas.
Depois de entrar no sistema, o malware pode permitir aos operadores executar comandos e programas remotamente, capturar imagens da tela, acessar documentos confidenciais e controlar as máquinas comprometidas.
O programa também utiliza mecanismos para esconder sua presença e dificultar a identificação por ferramentas de segurança e antivírus.
Oito países e territórios aparecem entre os alvos
A presença da ameaça foi identificada em diferentes pontos da América Latina e do Caribe.
Entre os locais mapeados estão Argentina, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru, Porto Rico e Venezuela.
Os pesquisadores apontam que os ataques têm se concentrado principalmente em organizações governamentais. No Panamá, uma das entidades visadas participa de negociações envolvendo portos considerados estratégicos no canal.
Os especialistas, entretanto, afirmam que ainda não é possível determinar se a concentração das operações na América Latina decorre de uma orientação geográfica específica ou das atuais circunstâncias geopolíticas.
FamousSparrow atua desde pelo menos 2019
O grupo FamousSparrow é acompanhado por especialistas em segurança digital desde pelo menos 2019.
Anteriormente, o principal malware utilizado pelo grupo era conhecido como SparrowDoor. Agora, as operações passaram a empregar o SparroWocky.
Análises do setor relacionam o FamousSparrow a outros grupos de espionagem cibernética associados a Pequim, embora as operações sejam monitoradas separadamente por pesquisadores.
Ataque tenta enganar sistemas de segurança
Para executar o malware, os invasores utilizam uma técnica conhecida como DLL side-loading. Nesse método, um aplicativo legítimo é induzido a executar uma biblioteca adulterada, permitindo que o código malicioso seja carregado.
O SparroWocky também aproveita ferramentas e projetos legítimos de programação para estabelecer comunicações protegidas, carregar novos componentes diretamente na memória e dificultar sua detecção.
Apesar de os pesquisadores terem identificado como o malware é executado depois de chegar às máquinas, a brecha inicial utilizada para entrar nas redes das vítimas ainda não foi determinada.
Malware pode apagar os próprios rastros
Depois de comprometer um computador, o programa consegue manter comunicação com servidores controlados pelos operadores e utilizar criptografia para camuflar os dados extraídos.
O malware também possui recursos destinados a dificultar sua identificação dentro do Windows.
Quando a operação é encerrada ou existe risco de descoberta, os responsáveis podem ordenar a remoção dos arquivos utilizados durante a invasão, reduzindo os rastros deixados no computador.
As atividades do FamousSparrow contra organizações governamentais latino-americanas permaneceram ativas durante o primeiro semestre de 2026, segundo os pesquisadores.





