Levantamento do Simepar confirmou seis novos tornados em apenas três dias; especialistas apontam fatores geográficos e climáticos para a elevada frequência dos fenômenos no Estado.
Seis tornados foram confirmados em apenas três dias
O Paraná contabiliza nove tornados registrados em 2026, após a confirmação de seis ocorrências entre os dias 28 e 30 de junho. A validação foi realizada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), com base em análises de campo, imagens de drones, satélites e dados de radar.
Os fenômenos ocorreram nos municípios de Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva.
Entre os casos confirmados, Reserva foi atingida por um tornado de categoria F2, capaz de provocar danos consideráveis, enquanto Nova Cantu registrou um tornado F1, classificado com potencial para causar danos moderados.
Também foram confirmados tornados F1 em Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins. Um segundo tornado percorreu Inácio Martins e avançou até Cruz Machado, mas não recebeu classificação por não ter causado danos registrados.
No início de 2026, outros três tornados já haviam sido identificados nos municípios de Mercedes e São José dos Pinhais, em janeiro, e em Foz do Iguaçu, em fevereiro.
Levantamento contou com apoio da Defesa Civil
O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (22) e contou com o apoio da Defesa Civil do Paraná, envolvendo equipes de Meteorologia e Geointeligência para identificar, analisar e classificar os fenômenos registrados no Estado.
Paraná está em corredor de ventos extremos
Segundo o consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Francisco Mendonça, a Região Sul do Brasil está localizada no segundo maior corredor de ventos extremos do planeta, atrás apenas da região central dos Estados Unidos.
De acordo com o especialista, o Paraná está inserido em uma área geográfica favorável à ocorrência de fenômenos como ciclones, tempestades severas e tornados, especialmente ao longo das bacias dos rios Iguaçu e Paraná, além da região Oeste do Estado.
As áreas mais planas favorecem o aumento da velocidade dos ventos, contribuindo para a formação de movimentos atmosféricos intensos e de grande potencial destrutivo.
Aquecimento dos oceanos aumenta o risco
Conforme o especialista, outro fator importante é o aquecimento anormal das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul.
Segundo ele, as águas permaneceram aquecidas na transição entre 2025 e 2026, aumentando a disponibilidade de energia na atmosfera e favorecendo a formação de tempestades severas, ciclones e tornados.
Tornado devastou município em 2025
No fim de 2025, um tornado classificado como F4 atingiu Rio Bonito do Iguaçu, provocando uma das maiores tragédias climáticas recentes no Paraná.
O fenômeno, com ventos estimados em até 400 km/h, deixou seis mortos em Rio Bonito do Iguaçu e uma vítima fatal em Guarapuava. Além disso, mais de 800 pessoas ficaram feridas.
Entenda a classificação dos tornados
A Escala Fujita é utilizada para classificar a intensidade dos tornados com base nos danos provocados em edificações e na vegetação.
- F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h – danos leves;
- F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h – danos moderados;
- F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h – danos consideráveis;
- F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h – danos severos;
- F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h – danos devastadores;
- F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h – danos extremos.




