Influenciador e empresário é acusado de participar de um esquema de desvio de mais de 12 toneladas de produtos químicos utilizados na fabricação de crack e cocaína. Defesa nega envolvimento e espera absolvição.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador digital Renato Cariani por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
Caso a Justiça acolha integralmente os pedidos da acusação, a soma das penas poderá chegar a 51 anos e oito meses de prisão.
Cariani responde ao processo em liberdade e nega envolvimento no esquema investigado.
O pedido foi apresentado pela promotoria nas alegações finais protocoladas em 21 de outubro de 2026. O processo ainda aguarda a manifestação final da defesa antes da sentença.
O pedido do Ministério Público não significa que o influenciador tenha sido condenado.
MP aponta desvio de mais de 12 toneladas de produtos químicos
Segundo a acusação, Renato Cariani e outros investigados teriam participado de um esquema responsável pelo fornecimento irregular de mais de 12 toneladas de produtos químicos.
Essas substâncias teriam sido destinadas à produção de drogas ilícitas, especialmente crack e cocaína.
O Ministério Público sustenta que a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, da qual Cariani era sócio, teria sido utilizada para simular operações comerciais com empresas do setor farmacêutico.
De acordo com a denúncia, as supostas vendas serviriam para justificar a movimentação dos produtos químicos que, na realidade, teriam sido desviados para atividades ligadas ao tráfico.
As acusações ainda dependem de avaliação judicial.
Investigação também aponta suspeita de lavagem de R$ 2,5 milhões
Além dos crimes relacionados ao tráfico, o Ministério Público acusa os envolvidos de lavagem de dinheiro.
Conforme a promotoria, depósitos em espécie realizados por terceiros teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade a aproximadamente R$ 2,5 milhões supostamente provenientes das atividades criminosas.
O órgão sustenta que as movimentações financeiras fariam parte do mesmo esquema de fornecimento irregular de substâncias químicas.
Cariani responde às acusações de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.
Ministério Público pede condenação de outros dois réus
Nas alegações finais, a promotoria também solicitou a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.
Em relação a Roseli Dorth e Andréia Domingues Ferreira, o Ministério Público pediu a absolvição.
A definição sobre a responsabilidade de cada acusado caberá à Justiça, após a conclusão das manifestações processuais.
Renato Cariani nega participação e afirma que empresa foi vítima
Renato Cariani se manifestou nas redes sociais e contestou as acusações.
Em publicações nos stories do Instagram, o influenciador afirmou que sua empresa teria sido vítima de uma quadrilha responsável pelo desvio dos produtos químicos.
Ele também argumentou que está respondendo ao processo por sua condição de proprietário da empresa.
“Eu respondo como dono da empresa, tanto eu quanto minha sócia porque a empresa tem que ser responsabilizada e responder e provar […] não é assunto, é o mesmo processo”, declarou.
A defesa do empresário mantém a expectativa de absolvição.
Entenda o andamento do processo
A investigação que envolve Renato Cariani ganhou desdobramentos judiciais após o indiciamento realizado pela Polícia Federal em dezembro de 2023.
Em fevereiro de 2024, o empresário passou à condição de réu.
Agora, o processo está na etapa final antes da sentença, com a apresentação das alegações finais pelas partes.
O Ministério Público já formalizou seu pedido de condenação, enquanto a defesa ainda poderá apresentar seus argumentos finais.
Somente após essa fase a Justiça deverá decidir sobre eventual condenação ou absolvição dos acusados.
Até que haja decisão judicial, Renato Cariani permanece na condição de réu e responde ao processo em liberdade.





