Quase 20 anos antes da prisão de Martônio Alves Batista, três pessoas foram consideradas suspeitas pela morte de Giovanna dos Reis Costa, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Dois homens e uma mulher foram réus até serem inocentados no tribunal do júri, em 2012.
Giovanna tinha nove anos quando foi encontrada morta em um matagal, dentro de um saco de lixo, com as mãos amarradas e sinais de violência sexual, no dia 12 de abril de 2006. Ela havia saído para vender rifas da escola, antes de desaparecer.
À época, a polícia elaborou uma lista com alguns nomes de suspeitos, como o de Martônio – atualmente apontado como o autor do crime, segundo a delegada Camila Cecconello, responsável pelo caso após a reabertura da investigação.
Porém, a investigação seguiu com a teoria de que a criança havia sido morta em um ritual. Isso aconteceu porque as roupas de Giovanna foram encontradas em frente à casa de Martônio, mas que também era vizinha à residência de uma casa de tarô, habitada pelas três pessoas ciganas.
Em um dos documentos do inquérito feito após a reabertura do caso, neste ano, uma testemunha afirmou que, ao encontrar na casa objetos ligados à leitura de cartas, criou-se a narrativa de que o crime pudesse ter sido cometido em um “ritual satânico”.
Em um artigo divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011, a Quinta Turma negou o pedido de habeas corpus da mulher apontada como suspeita. Nele, era dito que as três pessoas teriam atraído Giovanna para dentro da casa para cometerem o crime.
A mulher e um dos homens ficaram presos de 2007 até 2012, quando houve o julgamento. O segundo homem respondeu em liberdade. Não há informações sobre a adolescente citada pelo STF.
Os três adultos foram julgados juntos e absolvidos a pedido tanto do Ministério Público do Paraná (MP-PR) quanto da defesa, por não existirem elementos que os ligassem ao homicídio.
A prisão de Martônio, em 19 de fevereiro, aconteceu após quase 20 anos desde o registro do crime. Ele voltou a ser investigado depois que uma ex-enteada denunciou que o homem cometia abusos sexuais contra ela e a ameaçava, dizendo que a jovem seria a “próxima Giovanna”.
Martônio foi encontrado em Londrina, no norte do estado, e está em prisão preventiva, suspeito de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Ele ficou em silêncio durante o depoimento à polícia. Ele também é investigado por crimes sexuais contra outras pessoas. O advogado Eduardo Caldeira, que defende Martônio, informou que não teve acesso ao processo e que aguarda para novas manifestações.





