Novo comportamento do consumidor brasileiro exige mudanças no comércio e nas estratégias das empresas
Economia

Novo comportamento do consumidor brasileiro exige mudanças no comércio e nas estratégias das empresas

15/10/2026 | 14:38 Por Redacao

Crescimento do comércio eletrônico, inteligência artificial, redes sociais e mudanças nos hábitos de consumo estão transformando a maneira como os brasileiros compram e como as empresas precisam vender.

O mercado brasileiro passa por uma transformação no comportamento dos consumidores. Mais do que uma redução generalizada das compras, a análise apresentada pelo especialista Gustavo Hansel aponta uma mudança na forma como as pessoas distribuem seu dinheiro, priorizando conveniência, saúde, bem-estar e experiências digitais.

Esse cenário exige que empresas e empreendedores adaptem suas estratégias para acompanhar novos hábitos de consumo, canais de venda e tecnologias.

Comércio eletrônico pode movimentar R$ 235,5 bilhões

O comércio eletrônico brasileiro tem projeção de alcançar R$ 235,5 bilhões, com crescimento anual estimado em 15,3%, segundo os dados apresentados na análise.

O avanço das compras pela internet também elevou as expectativas dos consumidores, que passaram a valorizar entregas rápidas, facilidade de pagamento e atendimento eficiente.

Para os empreendedores, oferecer uma boa experiência digital deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma necessidade competitiva.

Saúde e bem-estar ganham espaço no orçamento

Outro fenômeno destacado é o crescimento do mercado de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.

Segundo os números citados pelo especialista, esse segmento movimenta R$ 15 bilhões, alcança 5,5% da população e apresenta projeção de expansão de até cinco vezes até 2030.

A análise sugere que mudanças nos hábitos alimentares podem influenciar os gastos com delivery e alimentos de conveniência, ao mesmo tempo em que ampliam o interesse por saúde, vestuário, estética e bem-estar.

Esses efeitos, porém, não ocorrem necessariamente da mesma maneira entre todos os consumidores.

Redes sociais, inteligência artificial e WhatsApp transformam as vendas

A jornada de compra está cada vez mais integrada a três ambientes: redes sociais, ferramentas de busca com inteligência artificial e aplicativos de mensagens.

Nas redes sociais, conteúdos e transmissões ao vivo estimulam a descoberta de produtos. O levantamento apresentado cita um crescimento de 102 vezes nas vendas diárias do TikTok Shop em um ano.

Entre os exemplos mencionados estão a Natura, que teria concentrado 25% das vendas de uma Black Friday em uma transmissão ao vivo; a Riachuelo, com mais de 200 milhões de visualizações em conteúdos sobre a calça Wide Leg; e a Always Fit, cujo faturamento mensal teria passado de R$ 5 milhões para R$ 10 milhões com uma estratégia de afiliados.

Já ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity estão mudando a forma como consumidores pesquisam produtos e serviços.

Nesse contexto, ganham importância estratégias conhecidas como GEO e AEO, voltadas a tornar empresas e marcas mais presentes nas respostas geradas por inteligência artificial.

O WhatsApp também permanece como canal relevante para o relacionamento comercial. A análise cita 82% de interação dos usuários com contas comerciais e 60% de conversão em compras diretas, indicadores que reforçam o potencial das vendas por mensagens, embora dependam do contexto e da metodologia de medição.

Inteligência artificial aumenta produtividade, mas exige diferenciação

A adoção da inteligência artificial nas empresas é outro ponto central da transformação.

Segundo os dados apresentados, 76% das empresas brasileiras já utilizam agentes de IA em produção, diante de 67% nos Estados Unidos e 62% na média global.

A análise também cita estimativas de que 57% das horas atuais de trabalho poderiam ser automatizadas, com potencial de gerar US$ 2,9 trilhões em valor econômico global até 2030.

Entretanto, o uso da tecnologia não garante vantagem competitiva por si só. Como ferramentas semelhantes estão disponíveis a diferentes empresas, produtos e conteúdos podem se tornar cada vez mais parecidos.

Por isso, o especialista destaca a importância de competências humanas, como pensamento crítico, criatividade, capacidade de síntese, conhecimento do consumidor, visão de negócios e formulação de perguntas estratégicas.

Mudança cultural será decisiva para os negócios

O levantamento também aponta uma diferença entre investir em tecnologia e transformar efetivamente a operação de uma empresa.

Dados citados do Boston Consulting Group indicam que 96% das organizações afirmam passar por transformação tecnológica, mas apenas 32% estariam em posição de liderança em seus mercados por meio da integração de agentes virtuais e capacitação das equipes.

A principal conclusão é que a transformação digital depende não apenas de softwares, mas também da capacidade de gestores e funcionários de mudar processos, aprender continuamente e combinar inteligência artificial com decisões humanas.

Para os empreendedores, o desafio é compreender onde o consumidor está gastando, como ele decide suas compras e o que faz uma empresa se destacar em um mercado cada vez mais digital e competitivo.