Crescimento do comércio eletrônico, inteligência artificial, redes sociais e mudanças nos hábitos de consumo estão transformando a maneira como os brasileiros compram e como as empresas precisam vender.
O mercado brasileiro passa por uma transformação no comportamento dos consumidores. Mais do que uma redução generalizada das compras, a análise apresentada pelo especialista Gustavo Hansel aponta uma mudança na forma como as pessoas distribuem seu dinheiro, priorizando conveniência, saúde, bem-estar e experiências digitais.
Esse cenário exige que empresas e empreendedores adaptem suas estratégias para acompanhar novos hábitos de consumo, canais de venda e tecnologias.
Comércio eletrônico pode movimentar R$ 235,5 bilhões
O comércio eletrônico brasileiro tem projeção de alcançar R$ 235,5 bilhões, com crescimento anual estimado em 15,3%, segundo os dados apresentados na análise.
O avanço das compras pela internet também elevou as expectativas dos consumidores, que passaram a valorizar entregas rápidas, facilidade de pagamento e atendimento eficiente.
Para os empreendedores, oferecer uma boa experiência digital deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma necessidade competitiva.
Saúde e bem-estar ganham espaço no orçamento
Outro fenômeno destacado é o crescimento do mercado de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.
Segundo os números citados pelo especialista, esse segmento movimenta R$ 15 bilhões, alcança 5,5% da população e apresenta projeção de expansão de até cinco vezes até 2030.
A análise sugere que mudanças nos hábitos alimentares podem influenciar os gastos com delivery e alimentos de conveniência, ao mesmo tempo em que ampliam o interesse por saúde, vestuário, estética e bem-estar.
Esses efeitos, porém, não ocorrem necessariamente da mesma maneira entre todos os consumidores.
Redes sociais, inteligência artificial e WhatsApp transformam as vendas
A jornada de compra está cada vez mais integrada a três ambientes: redes sociais, ferramentas de busca com inteligência artificial e aplicativos de mensagens.
Nas redes sociais, conteúdos e transmissões ao vivo estimulam a descoberta de produtos. O levantamento apresentado cita um crescimento de 102 vezes nas vendas diárias do TikTok Shop em um ano.
Entre os exemplos mencionados estão a Natura, que teria concentrado 25% das vendas de uma Black Friday em uma transmissão ao vivo; a Riachuelo, com mais de 200 milhões de visualizações em conteúdos sobre a calça Wide Leg; e a Always Fit, cujo faturamento mensal teria passado de R$ 5 milhões para R$ 10 milhões com uma estratégia de afiliados.
Já ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity estão mudando a forma como consumidores pesquisam produtos e serviços.
Nesse contexto, ganham importância estratégias conhecidas como GEO e AEO, voltadas a tornar empresas e marcas mais presentes nas respostas geradas por inteligência artificial.
O WhatsApp também permanece como canal relevante para o relacionamento comercial. A análise cita 82% de interação dos usuários com contas comerciais e 60% de conversão em compras diretas, indicadores que reforçam o potencial das vendas por mensagens, embora dependam do contexto e da metodologia de medição.
Inteligência artificial aumenta produtividade, mas exige diferenciação
A adoção da inteligência artificial nas empresas é outro ponto central da transformação.
Segundo os dados apresentados, 76% das empresas brasileiras já utilizam agentes de IA em produção, diante de 67% nos Estados Unidos e 62% na média global.
A análise também cita estimativas de que 57% das horas atuais de trabalho poderiam ser automatizadas, com potencial de gerar US$ 2,9 trilhões em valor econômico global até 2030.
Entretanto, o uso da tecnologia não garante vantagem competitiva por si só. Como ferramentas semelhantes estão disponíveis a diferentes empresas, produtos e conteúdos podem se tornar cada vez mais parecidos.
Por isso, o especialista destaca a importância de competências humanas, como pensamento crítico, criatividade, capacidade de síntese, conhecimento do consumidor, visão de negócios e formulação de perguntas estratégicas.
Mudança cultural será decisiva para os negócios
O levantamento também aponta uma diferença entre investir em tecnologia e transformar efetivamente a operação de uma empresa.
Dados citados do Boston Consulting Group indicam que 96% das organizações afirmam passar por transformação tecnológica, mas apenas 32% estariam em posição de liderança em seus mercados por meio da integração de agentes virtuais e capacitação das equipes.
A principal conclusão é que a transformação digital depende não apenas de softwares, mas também da capacidade de gestores e funcionários de mudar processos, aprender continuamente e combinar inteligência artificial com decisões humanas.
Para os empreendedores, o desafio é compreender onde o consumidor está gastando, como ele decide suas compras e o que faz uma empresa se destacar em um mercado cada vez mais digital e competitivo.





